Clima de discórdia paira sobre cúpula da União Europeia

(Reuters)

No primeiro encontro de líderes europeus após a votação que decidiu pelo Brexit, a saída do Reino Unido do bloco, falta consenso em relação a temas como refugiados e políticas económicas.

O primeiro encontro de líderes da União Europeia (UE) após o referendo sobre o Brexit – no qual eleitores britânicos decidiram pela saída do Reino Unido do bloco – é realizado em Bratislava nesta sexta-feira (16/09). O objectivo é definir um novo senso de direcção para a UE, mas a falta de consenso e união entre os chefes de Estado e de governo preocupa.

Antes da reunião, o presidente da Comissão Europeia, Donald Tusk, anunciou que apresentará uma iniciativa chamada “roteiro de Bratislava”. Esta deve traçar um caminho para tirar a UE da estagnação, o que dá a entender que Tusk se preparou para um clima não muito amigável durante a cúpula.

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, afirmou que a Europa vive um momento crucial. Após uma reunião preparatória nesta quinta-feira com o presidente francês, François Hollande, os dois líderes fizeram um apelo aos demais para que adoptem um “plano realista” para o futuro da UE, que reflicta as “preocupações, esperanças e desejos” do bloco.

Merkel pediu aos Estados-membros que trabalhem com maior rapidez e eficiência – o que também se aplica à Alemanha e à França. Os dois países concordam em alguns temas, como uma estratégia para a crise na Ucrânia. Mas, não há muito consenso entre as duas nações em diversas questões.

A chanceler tenta levar adiante projectos concretos para mostrar aos cidadãos europeus os benefícios da UE. Ela quer melhorar a cooperação entre os governos, cortar gastos e dinamizar estratégias europeias de defesa.

“Temos que demonstrar com nossas acções que podemos ser melhores”, disse Merkel. Ela ressaltou que os líderes devem se esforçar para obter progressos “nas áreas de segurança interna e externa, na luta contra o terrorismo e no campo da defesa”, além das questões referentes ao crescimento económico e à criação de empregos.

“Contra-revolução cultural”

No entanto, as visitas recentes da líder alemã a países do Leste Europeu demonstraram que será difícil obter o apoio desses Estados em algumas questões. O tema dos refugiados, em especial, continua a enfrentar forte resistência dos governos da região, que não demonstram sinais de solidariedade diante do problema.

Polónia, República Checa, Eslováquia e Hungria – nações que integram o chamado grupo Visegrad – irão à Bratislava com sua própria estratégia de “contra-revolução cultural” para a Europa. Eles se opõem fortemente à imigração de países muçulmanos e vêem o cristianismo como o único conjunto de valores comuns na UE.

Um dos protagonistas dessa iniciativa é o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que juntamente com sua homóloga polaca, Beata Szydlo, defende maior autonomia aos governos dos países membros da UE.

Varsóvia deverá defender em Bratislava mudanças em leis e regulamentações europeias, ao mesmo tempo em que visa assegurar que os pagamentos de Bruxelas continuem a fluir para os cofres dos países do leste.

Até mesmo a Grécia – que recebeu injecções de capital da UE para lidar com a crise económica que devastou o país durante anos – convocou os países do Mediterrâneo a se unirem contra Bruxelas, na esperança de ganhar a adesão de Itália, Portugal e Espanha nos questionamentos ao pacto de estabilidade financeira.

Brexit como tema omnipresente

O grande ausente da cúpula em Bratislava será o Reino Unido. A primeira-ministra britânica, Theresa May, não foi convidada para a reunião, mas o tema do Brexit estará omnipresente durante todo o encontro. Tusk disse que iria analisar friamente as razões por trás do Brexit.

O resultado do referendo no qual os eleitores britânicos optaram pela saída do país da UE, no último dia 23 de Junho, gerou uma crise no continente. Mas enquanto Londres não accionar o Artigo 50 do Tratado de Lisboa – que inicia o processo de negociação de dois anos sobre os termos da saída do país do bloco europeu – ainda permanecerão diversas incertezas sobre o futuro da União. (DW)

RC/dw/afp

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