Cidadãos do Sambizanga desconfiam dos serviços hospitalares

(Foto: D.R.)

Cidadãos de diversas formações políticas e estratos sociais reunidos ontem, no Sambizanga, convergiram ao descreverem as debilidades do sistema de saúde e apontaram a falta de sanções aos funcionários incumpridores como uma das razões do seu actual estado.

Os habitantes do distrito do Sambizanga pretendem uma maior intervenção das autoridades no sector da saúde deste distrito, descrito como sendo o que mais dificuldades de funcionamento apresenta na província de Luanda. A posição foi manifestada pelos moradores durante a primeira sessão ordinária do Conselho de Auscultação e Concertação Social deste distrito que decorreu sob o lema “Diálogo, Disciplina e Reforço da municipalidade no distrito Urbano do Sambizanga”.

Para os moradores, é urgente que a administração realize visitas surpresa à semelhança do que o governador de Luanda fazia no início do seu consulado, para aferir “in loco” a real situação dos hospitais. Segundo Lucas Chilundica, morador no distrito há 30 anos, os cidadãos perderam total confiança nos serviços prestados pelas unidades sanitárias, em virtude das peripécias a que estão sujeitos para serem assistidos.

O alegado mau atendimento dos médicos e enfermeiros, de acordo com este morador, de 56 anos, é acompanhado por uma acentuada escassez de fármacos, muitas vezes obrigando os próprios profissionais a se limitarem à simples passagem de receitas aos pacientes. Alinhou neste mesmo diapasão o cidadão Carlos Muongo, que participou no encontro como representante do partido FNLA. Acrescentou que a situação é extensiva a várias repartições públicas e que tal só acontece por falta de responsabilização dos funcionários.

“Todos os dias, os cidadãos que acorrem a essas unidades reclamam da forma como são atendidos, mas a situação persiste em quase todas elas. Não é normal que o cidadão passe o dia todo num hospital e não é atendido”, salientou o político. Já Paulo Muanza, representante da UNITA, qualificou o sistema de saúde local como débil, por não conseguir responder às necessidades mínimas dos cidadãos.

“Eu perdi um neto recentemente no único hospital de referência do distrito que nem luz tinha para atender os pacientes”, lamentou, recomendando uma maior fiscalização por parte das autoridades competentes. Todos eles defenderam a necessidade de se corrigir este quadro através da adopção de medidas preventivas eficientes e de mais humanização nos serviços, para se atingir a tão desejada qualidade no sector da saúde. Por outro lado, exigiram mais divulgação do processo de requalificação do distrito e a aceleração das obras nas vias de acesso, em virtude das chuvas que se avizinham.

“Mais disciplina e rigor com o Sambizanga em Movimento”

A administradora do distrito urbano do Sambizanga, Milca Caquesse, esclareceu que a sua equipa fez um estudo em diversos sectores da administração pública, nos últimos seis meses, cujos resultados servirão para a elaboração do trabalho denominado “Sambizanga em Movimento”, que começou a ser implementado este mês. Milca Caquesse esclareceu que com o “Sambizanga em Movimento” pretendem imprimir “mais disciplina e rigor na execução dos trabalhos a que nos comprometemos”.

As referidas disciplina e rigor, segundo a governante, devem ser extensivas a todos os funcionários públicos sob alçada da Administração, que pretende melhor as condições de trabalho. Numa breve alusão ao sector da saúde, Milca Caquesse disse que o sector conhecerá melhorias e estará melhor servido com a conclusão dos postos médicos ainda em obras.

O projecto “Sambizanga em Movimento” prevê tornar mais célere o funcionamento da Administração e satisfazer os principais anseios da população. É constituído por sete programas como os de natureza desportiva, cultural, empreendedorismo juvenil, saneamento básico e requalificação dos bairros durante um ano (de Setembro de 2016 à Setembro de 2017). (ANGOP)

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