Christiana Figueres retira candidatura ao secretariado-geral da ONU

(Bloomberg)

A costa-riquenha Christiana Figueres anunciou na segunda-feira a retirada da sua candidatura ao secretariado-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), dois meses depois de se ter apresentado como candidata ao cargo.

O anúncio foi feito por Figueres durante uma conferência de imprensa conjunta com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Costa Rica, Manuel González, ao mesmo tempo que divulgava uma carta que enviou à organização a dar conta da sua decisão.

Figueres assegurou que se retirou da contenda para “facilitar o processo complexo” de decisão na ONU, agradecendo o apoio do seu país, da sociedade civil, do sector privado e de outros Estados-membros da ONU.

A costa-riquenha expressou o desejo de que seja escolhido “um líder que possa fortalecer a confiança das pessoas na ONU e na sua missão, dirigida aos desafios profundamente interligados da paz, prevenção de conflitos, direitos humanos, migrações, alterações climáticas, recursos naturais e desenvolvimento”.

Figueres reconheceu que na sua decisão influiu o pouco apoio que recebeu no processo em curso na ONU, consistente numa série de rondas de votação, que têm sido vencidas sucessivamente por António Guterres.

O governo da Costa Rica apresentou a candidatura de Figueres em 7 de Julho, durante uma sessão oficial em que o presidente do país, Luis Guillermo Solís, destacou as suas qualidades para assumir o cargo.

Christiana Figueres foi nos últimos seis anos a secretária executiva da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, responsável pelas negociações para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. Foi sob a sua direcção que em Dezembro último foi alcançado em Paris um acordo global contra as alterações climáticas.

Christiana Figueres é filha do já falecido José Figueres Ferrer, que foi três vezes presidente da Costa Rica, depois de ter liderado a revolução armada de 1948 e de, neste mesmo ano, ter abolido o exército do país centro-americano.

No processo eleitoral para o cargo de secretário-geral da ONU, António Guterres venceu as primeiras quatro votações secretas, que aconteceram a 21 de Julho, 5 de Agosto, 29 de Agosto e 9 de Setembro.

Os 15 países membros do Conselho de Segurança (cinco deles são permanentes e têm direito de veto: EUA, Reino Unido, França, Rússia e China) dispõem de um voto para cada candidato e podem escolher entre ‘encorajar’, ‘desencorajar’ ou ‘não ter opinião’.

Nesta quarta votação, o ex-primeiro-ministro português teve 12 votos “encorajamento”, dois “desencoraja” – melhorando o resultado da anterior votação – e um “sem opinião”.

Em segundo lugar, ficou novamente o eslovaco Miroslav Lajcak, com 10 “encoraja”, quatro “desencoraja” e um “sem opinião”. Em terceiro lugar, ficou o sérvio Vuc Jeremic, com nove “encoraja”, quatro “desencoraja” e dois “sem opinião”. Seguiu-se Srgjan Kerim, da Macedónia, com oito votos positivos, mas sete “desencoraja”.

A primeira mulher, Irina Bokova, surgiu em quinto lugar, com sete “encoraja”, cinco “desencoraja” e três “sem opinião”. Susanna Malcorra, da Argentina, surgiu em sexto lugar com o mesmo número de “encoraja” e “desencoraja” – sete – e apenas um “sem opinião”.

Os últimos lugares ficaram para o esloveno Danilo Turk, a candidata da Nova Zelândia, Helen Clark, Christiana Figueres, da Costa Rica, e a moldava Natalia Gherman.

Duas outras votações estão agendadas: uma semelhante às primeiras quatro, que acontece a 26 de Setembro, e uma na primeira semana de Outubro, em que os votos dos membros permanentes do conselho, que têm poder de veto sobre os candidatos, serão destacados.

Com a desistência de Figueres, estão agora na corrida ao posto cimeiro da ONU 10 candidatos – seis homens e quatro mulheres – depois de Vesna Pusic, ex-ministra croata dos Negócios Estrangeiros, ter também anunciado a sua desistência a 4 de Agosto.

Mas pode haver mais uma entrada: esta segunda-feira a imprensa búlgara avançou que Kristalina Georgieva, vice-presidente da Comissão Europeia, poderá entrar na corrida ao cargo de secretário-geral da ONU nos próximos dias.

A acontecer, a candidata será uma escolha da Alemanha e da sua chanceler, Angela Merkel, que terá procurado apoio para Georgieva durante a última cimeira do G20, noticiaram meios de comunicação búlgaros.

A organização espera ter encontrado o sucessor de Ban Ki-moon, que termina o seu segundo mandato no final do ano, durante o Outono. (Negocios)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA