Calou-se a voz da trova de Moíses Kafala

músico Moíses Kafala morreu, vítima de doença (Foto: Rosário dos Santos)

Quarenta e sete anos depois dos primeiros passos no mundo da música angolano, calou-se nesta quinta-feira, na Namíbia, vítima de doença, a voz da trova de Moíses Kafala, conhecido e reconhecido no mercado nacional e internacional pela musicalidade de poemas do Poeta Maior, Agostinho Neto, entre os quais “Renúncia Impossível”.

Dezanove anos depois de ter nascido (1950), Josué de Campos, conhecido nas lides artísticas como Moíses Kafala, começa a escrever o seu nome na música angolana com a participação, em 1969, num concurso musical realizado na Escola Primária nº 147, em Luanda, onde saiu vencedor.

Dono de uma voz sublime e tendo a guitarra e a flauta como instrumentos predilectos para o exercício da sua actividade, Moíses Kafala espalhou o charme pelos palcos nacionais e estrangeiros, tanto individualmente como colectivamente com o irmão José de Campos (José Kafala como é conhecido no mundo musical).

A sua carreira ficou ainda marcada com a criação, na década de 1960, de um grupo musical no Internato da Missão Católica dos Bângalas. Foi nesta altura que Moisés Kafala compõe “Papá” um tema que viria a ser um dos grandes êxitos do duo que forma, em 1987, com o irmão José Kafala.

Moíses Kafala tornou-se num dos mais representativos trovadores do período pós-independência, na companhia do irmão José Kafala.

Moisés Kafala nasceu em Bula Atumba, província do Bengo, no dia 7 de Setembro de 1950.

Em 1976, viaja de Luanda para Benguela, onde encontra o seu irmão José e integra o grupo Shalon, uma formação ligada à Igreja Católica. Neste grupo Moisés era guitarrista solo e vocal, enquanto José, apenas cantava. Moisés Kafala é chamado, meses depois, a integrar o conjunto 1º de Agosto, formação ligada ao Centro de Instrução Rodoviária Militar de Benguela, numa altura em que José Kafala abandona, parcialmente, a música.

Em 1980, Moisés Kafala tenta o teatro, no Grupo Experimental Primeiro de Maio, como compositor e actor, e representa a peça teatral “A Praga” de Óscar Ribas. Ainda em 1980, participa no Festival Nacional da Canção Política realizado no Huambo, tendo conquistado o primeiro lugar.

Em 1981, começa a internacionalização de Moisés Kafala quando participa, em Berlim, no 12º Festival Internacional da Canção Política. (Angop)

por Venceslau Mateus

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