Burundi: ONU teme genocídio

Manifestação organizada pelo poder burundês contra a França e uma resolução da ONU, 30 de Julho de 2016. (STR / AFP)

A ONU denunciou violações sistemáticas de direitos humanos por parte das autoridades do Burundi e alerta mesmo para um grande perigo de genocídio.

Uma missão da ONU divulgou nesta terça-feira um relatório responsabilizando o governo de Bujumbura pelas violências cometidas desde Abril de 2015, altura da controversa reeleição do presidente Pierre Nkurunziza.

Esta missão denuncia crimes contra a humanidade tendo contabilizado mais de 500 execuções. A ONU refere ainda ter estabelecido uma lista de suspeitos susceptíveis de virem a ser julgados por esses crimes.

O responsável da comunicação da presidência burundesa Willy Nyamitwe na sua conta twitter denunciou acusações “com motivações políticas e baseadas em testemunhos anónimos, não verificados”. Ele acrescentou que o governo do Burundi transmitira à referida comissão das Nações Unidas um “documento de 40 páginas em resposta a este relatório sectário e politicamente orientado”.

O país mergulhou numa grave crise com registo de actos de violência de de muitos casos de tortura desde que o presidente Pierre Nkurunziza anunciou em Abril do ano passado a sua intenção em voltar a candidatar-se a um terceiro mandato controverso, acabando por ser reeleito em Julho de 2015.

De acordo com o ACNUR, Alto comissariado da ONU para os refugiados, a violência no Burundi obrigou 300 000 pessoas a fugir do país.

Este relatório pedido pelo Conselho dos direitos humanos da ONU incidia sobre as violações e abusos dos direitos humanos entre 15 de Abril do ano transacto e 30 de Junho de 2016.

A comissão esteve no terreno entre 1 e 8 de Março e de 13 a 17 de Junho deste ano, mas acabou por não poder lá voltar em Setembro por falta de condições de segurança.

Também a organização não governamental Human Rights Watch compilou relatos e dados sobre violações de direitos humanos no Burundi que corroboram este relatório da ONU como nos confirmou Iain Levine, director de programas desta ong.

Descartando falar, por ora, em genocídio ele admite que o poder burundês tem instrumentalizado a questão étnica reavivando lembranças do terrível drama de 1994 do genocídio dos tutsis. (RFI)

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