BBVA: “Debate sobre um novo resgate no curto a médio prazo é prematuro”

(Miguel Baltazar)

O banco espanhol alerta para problemas económicos e orçamentais, mas considera que as condições de financiamento continuam a ser relativamente sustentáveis.

As taxas de juro das obrigações portuguesas têm subido nas últimas sessões e os analistas do BBVA consideram que existem problemas relacionados com o crescimento, a evolução orçamental e o sector financeiro. Mas consideram, numa nota a investidores, que “apesar de reconhecermos que o contexto geral piorou ultimamente, qualquer mudança de debate em direcção a um potencial novo pedido de resgate por Portugal no curto a médio prazo é prematuro”.

Pablo Zaragoza e Jaime Costero referem que “apesar das condições enfrentadas pelo governo terem, de alguma forma, endurecido em termos de mercados financeiros, continuam a ser relativamente sustentáveis”.

Justificam que Portugal paga uma taxa de juro média de 2,4% na sua dívida pública total, muito graças às taxas baixas dos empréstimos concedidos pelos credores oficiais. E acrescentam que Portugal “não enfrenta volumes significativos de amortizações de dívida. Em termos de obrigações negociadas no mercado, apenas 4,1 mil milhões de euros e 7,4 mil milhões de euros atingem a maturidade em 2016 e 2017, respectivamente”.

Apesar destes factores afastarem, segundo o BBVA, a necessidade de se pedir um novo resgate, o banco espanhol alerta que “no passado aprendemos que muito do racional por trás de um eventual pedido de resgate por parte de um país reflecte problemas políticos (que são sempre mais difíceis de prever)”.

Em relação à evolução das taxas das obrigações portuguesas, os analistas do BBVA consideram que “Portugal dificilmente regressará às avaliações vistas há dois anos (mesmo assumindo que o BCE mantém ou estende a sua posição acomodatícia no futuro)”.

O banco espanhol refere que “num horizonte de curto prazo, pode haver mais volatilidade devido ao potencial de ruído em torno da apresentação dos planos orçamentais e a revisão da DBRS (a 15 e 21 de Outubro, respectivamente”. No entanto, sublinham que “a não ser que exista alguma surpresa negativa, não esperamos uma deterioração dramática das avaliações em relação aos níveis actuais”. (Negocios)

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