António Costa: “Não temos de ter vergonha de ser do sul (na UE)”

(DR)

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou esta sexta-feira que há um entendimento dos líderes dos países do sul da Europa para ser reforçado o investimento no conjunto da União Europeia (UE).

“É necessário reforçar o investimento”, advogou Costa, sublinhando que “as condições para reforçar o investimento têm de se adaptar às condições específicas de cada um dos países”, até porque alguns “têm largos excedentes e tinham aliás o dever de investir mais”, mas outros têm algumas limitações nesse sentido.

O chefe de Governo português falava em Atenas, capital da Grécia, onde participou numa cimeira de líderes dos países do sul da UE, que prepararão a cimeira informal dos Estados-membros do conjunto europeu marcada para a próxima semana em Bratislava (Eslováquia).

Sobre este encontro de líderes de países do sul do espaço europeu, intitulada Euro-Med, António Costa frisou: “Não temos de ter vergonha de ser do sul. Temos de saber assumir na UE uma posição que defenda também a perspetiva de todos estes países. É a melhor forma que temos para que a Europa no seu conjunto esteja melhor posicionada no mundo”.

Do conjunto de “pontos de vista e sensibilidades” dos vários países, o primeiro-ministro acredita fazer-se “uma Europa Unida”, caso contrário haverá uma “Europa a várias velocidades ou fragmentada em várias regiões”. Na mesma linha, perante alguns receios, por exemplo, da Alemanha, o anfitrião Alexis Tsipras garantiu que esta cimeira não pretendia criar divisão entre o norte e o sul dos ainda “28”.

“Esta iniciativa, é um passo positivo para o diálogo sobre o futuro da Europa. Não somos nem queremos tornar-nos em mais um grupo pequeno ou em mais uma iniciativa com o objetivo de dividir ou provocar conflitos na Europa”, garantiu o primeiro-ministro grego, revelando também que a próxima cimeira Euro-Med irá realizar-se em Portugal, mas, para já, sem data pelo menos divulgada.

Espanha representada por deputado europeu
Além do primeiro-ministro helénico, Alexis Tsipras, e do seu homólogo português, a reunião desta sexta-feira, promovida por Atenas, contou com os chefes dos executivos de Chipre (Nicos Anastasiades), França (François Hollande), Itália (Matteo Renzi) e Malta (Joseph Muscat).

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, foi também convidado para a cimeira mas não marcará presença porque com o executivo espanhol em gestão a agenda internacional do chefe do Governo limita-se a cimeiras imprescindíveis.

A representação espanhola foi preenchida pelo deputado europeu Fernando Eguidazu. Rajoy, por outro lado, estará presente na reunião europeia informal de 16 de setembro em Bratislava, encontro no qual o Reino Unido não irá participar e em que será debatido o futuro da União após o ‘Brexit’.

O desemprego jovem, as relações europeias com vários países (inclusive do norte de África), o combate ao terrorismo e políticas dedicadas ao crescimento e investimento económico marcam as conversas dos líderes do sul da Europa reunidos em Atenas.

No domingo, Costa – que viajou esta sexta-feira desde o Brasil para a Grécia – participa em Berlim num jantar a convite da chanceler alemã, Angela Merkel, naquele que será o terceiro encontro entre os dois desde que é primeiro-ministro.

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