Angola apela à intensificação de esforços para a busca da paz na Síria

Vice – Presidente da República de Angola, Manuel Domingos Vicente (DR)

O Vice-Presidente da República, Manuel Domingos Vicente, participou quarta-feira, em Nova Iorque, no 2º Fórum de Negócios Estados Unidos da América/África, realizado à margem dos trabalhos da 71ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.

O evento, realizado pela “Bloomberg Philanthropies”, em parceria com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, visou a análise da melhor forma de aumentar o comércio, investimento e o desenvolvimento de oportunidades comerciais e de negócios entre as partes.

A delegação angolana integrou o Ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, o Embaixador nos EUA, Agostinho Tavares, e o Representante Permanente de Angola junto da ONU, Embaixador Ismael Gaspar Martins.

Recorde-se que o Vice-Presidente da República discursa hoje, quinta-feira (22), na 71ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Também hoje, Angola apelou, no Conselho de Segurança da ONU, a todos os actores relevantes da região do Médio Oriente redobrarem esforços no sentido de incentivar os beligerantes sírios a regressarem à mesa de negociações, para procurar uma solução política que ponha fim definitivo ao conflito armado e permita a assistência humanitária aos necessitados.

De acordo com o Secretário de Estado das Relações Exteriores, Manuel Domingos Augusto, que falava na reunião de alto nível do Conselho de Segurança sobre a Síria, a paz contribuirá para melhorar a “terrível” situação humanitária, bem como combater com eficácia o flagelo do terrorismo que tem atingido o Médio Oriente e outras regiões.

“Infelizmente, as diferenças políticas e os interesses estratégicos continuam a obstruir as perspectivas para negociações conducentes à obtenção de um acordo para acabar com o conflito e poupar milhões de civis sírios da violência, assim como impedir uma catástrofe humanitária e uma crise de refugiados sem precedentes”, salientou o responsável.

Para o governante, que esteve acompanhado pelo Embaixador Ismael Gaspar Martins, existe um renovado sentido de urgência para acabar com os conflitos armados, que estão na origem do crescente radicalismo e da ideologia extremista em zonas de conflito e em todo o mundo.

A propósito, disse que grupos terroristas e extremistas violendos como Al-Qaeda, Taliban, Frente Al-Nusra, Al-Shabab, Boko Haram e Estado Islâmico tornam-se mais fortes num contexto de prolongados conflitos, como o da Síria, onde interesses geopolíticos têm precedência sobre o bem-estar das pessoas.

Alertou que a população civil, em particular a geração mais jovem, que foi forçada a fugir, é marginalizada, daí que, desencantada e frustrada, constitui um alvo fácil para se exercitar a ideologia do extremismo e ódio.

Manuel Augusto saudou o recente acordo de cessar-fogo na Síria, mediado pelos Estados Unidos da América e pela Rússia, considerando-o um passo importante para o reinício do diálogo político conducente à paz, assim como enalteceu a determinação do Enviado Especial do Secretário-Geral na Síria, Staffan de Mistura, em aproximar os beligerantes, com a finalidade de facilitar a retomada das negociações de forma frutífera.

“É crucial que as partes interessadas regionais e internacionais mantenham a vontade política que levou ao cessar-fogo e que o acordo alcançado seja sustentado”, exortou o dirigente, lembrando as consequência do longo conflito, como a destruição de escolas, serviços médicos e outras infra-estruturas civis, electricidade e estações de distribuição de água, bem como a erosão do tecido social sírio em geral.

Disse ser “profundo desejo” de Angola que os membros do Conselho de Segurança, o Grupo Internacional de Apoio a Síria e outras partes interessadas regionais reconheçam os benefícios de longo prazo de acabar com o conflito e exercer a pressão necessária para a retomada das negociações, para mais eficazmente combater a ameaça terrorista em constante expansão.

“O trabalho cooperativo dessas entidades deve ser focado em reduzir drasticamente o fluxo de armas para a Síria, para aumentar a entrega de ajuda humanitária e estabelecer como principal prioridade o fim do conflito e o alivío do sofrimento dos civis inocentes”, concluiu o dirigente angolano.

A reunião, presidida pelo Primeiro-Ministro da Nova Zelândia (Presidente do Conselho de Segurança neste mês), John Key, contou com a participação de líderes dos Estados Membros do Conselho de Segurança que participam no debate geral da 71ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, iniciada terça-feira e com término no dia 26 do corrente mês.

Na abertura do encontro, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, apelou às potências do mundiais a ajudarem a impulsionar novamente as negociações de paz entre os sírios e permitir uma negociação com vista a uma paz definitiva.

A reunião foi tensa, com o Secretário de Estado Americano, John Kerry, e o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, com cada uma das partes a responsabilizar a outra pelos confrontos ocorridos na Síria esta semana. O conflito na Síria, iniciado em 2011, causou mais de 300 mil mortos e mais de 4,8 milhões de refugiados.

Antes do debate sobre a Síria, o Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, entregou ao Conselho de Segurança o acordo de paz alcançado no país, que terminou com 52 anos de guerra no país.

A reunião do Conselho de Segurança também teve a participação do Director para África, Médio Oriente e Organizações Regionais, Embaixador Joaquim do Espirito Santo, a Directora para América, Embaixadora Teodolinda Coelho, o Embaixador no Brasil, Nelson Cosme, e o Representante Permanente Adjunto na ONU, Embaixador Helder Lucas. (Angop)

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