Abertura de mercados: Bolsas, ouro e petróleo em alta, juros aliviam

(Bloomberg)

Em dia marcado por decisões de política monetária – o Japão flexibilizou a abordagem e espera-se decisão da Fed ao final da tarde -, os principais índices europeus registam ganhos, suportados também pelo avanço do petróleo.

Os mercados em números

PSI-20 ganha 0,6% para 4.565,98 pontos

Stoxx600 sobe 1,07% em 344,65 pontos

Nikkei subiu 1,91% para 16.807,62 pontos

“Yield” a 10 anos de Portugal cede 0,7 pontos base para 3,301%

Euro recua 0,06% para 1,1144 dólares

Brent do Mar do Norte ganha 1,5% para 46,57 dólares por barril

Bolsas europeias em alta

Em Lisboa são as acções do BPI que merecem nota no início de sessão, depois de a sua negociação ter sido suspensa pela CMVM minutos antes do início das negociações. O banco retoma esta quarta-feira a sua assembleia-geral para discutir a desblindagem dos estatutos e o fim da limitação dos votos, horas depois de o BPI ter proposto a cedência do controlo do angolano BFA em troca da desblindagem. Uma solução que tem associado o pagamento de 28 milhões de euros ao banco português e que permitiria desbloquear a OPA do CaixaBank, que oferece 1,113 euros por cada título.

O PSI-20 regressa aos ganhos – avança 0,6% -, sustentado nas valorizações do sector energético e do BCP, que soma mais de 1% e recupera neste caso de três sessões negativas que levaram os títulos a valores mínimos históricos na última sessão. O maior ganho cabe à Pharol, de mais de 2%.

As praças europeias seguem em terreno positivo, depois de conhecida a decisão do Banco do Japão de manter os juros negativos e flexibilizar a sua política monetária – nomeadamente em relação ao valor do programa de compra de activos, de 80 biliões de ienes por ano, que deixa de ser fixo, tal como deixa de ser estático o prazo da dívida soberana japonesa nas mãos do banco. O movimento levou o iene a quedas que, por seu lado, tornaram mais baratas as compras de títulos na bolsa japonesa, levando o Topix a valorizar 2,91%.

Juros em alta em dia de leilão

A “yield” a que a dívida soberana portuguesa negoceia em mercado secundário agrava em linha com o resto das obrigações dos países periféricos do euro. No caso das obrigações a dez anos, é a primeira sessão de agravamentos em quatro, depois de os últimos dias terem sido marcados pelo “rating” inalterado da S&P, confiança da Comissão Europeia na execução orçamental e garantias do Banco de Portugal de que o stock de dívida pública é suficiente para satisfazer as necessidades do programa de compras do Banco Central Europeu.

A “yield” a dez anos recua pela quarta sessão, menos de um ponto base para 3,301%, enquanto o prémio de risco da dívida portuguesa neste prazo está nos 329,87 pontos base (diferença entre os juros a que transacciona a dívida alemã e portuguesa no mesmo prazo), continuando a afastar-se de máximos de Junho registados nos últimos dias. O movimento ocorre no dia em que Portugal vai aos mercados procurar levantar até 1.750 milhões de euros em bilhetes do tesouro a seis e doze meses.

Iene com maior queda do mês

O ajuste da política monetária japonesa – abandonando um objectivo fixo para o valor de compra de activos e para a maturidade média das obrigações detidas pelo banco central – levou a moeda nipónica à maior queda num mês face ao dólar.

A força da nota verde põe também o euro em recuo, no dia em que se espera que a Reserva Federal norte-americana deixe os juros inalterados nos EUA, abrindo no entanto a porta a futuras subidas, num discurso que os analistas consideram que poderá ser “cautelosamente agressivo” por parte da presidente da Fed, Janet Yellen. A favor de uma subida estão os sinais de robustez da economia, enquanto outros governadores com direito de voto na Reserva pedem “cautela” no ritmo de subidas.

Petróleo avança à boleia da OPEP

O preço do barril avança entre 1,5 e 2% em Londres e Nova Iorque (aqui, o West Texas Intermediate está muito próximo dos 45 dólares) depois de a Argélia ter sugerido que os encontros informais do cartel da OPEP, a realizar na próxima semana, podem afinal ter carácter formal. Esta possibilidade aumenta as expectativas de tomada de medidas para cortar a produção dos países, que na opinião do ministro argelino da Energia tem de ser reduzida em um milhão de barris por dia para travar o excesso de oferta no mercado. A ajudar às altas do Brent e do WTI estão também estimativas do Instituto Americano do Petróleo de que os inventários dos EUA terão caído em 7,5 milhões de barris na semana passada

Ouro em alta pela quarta sessão

O metal precioso avança na quarta sessão consecutiva de ganhos, perante a decisão do Banco do Japão manter a taxa de juro negativa, em -0,1%, antecipando a possibilidade de mais cortes no futuro. Um ambiente de baixas rendibilidades que tem favorecido em contraponto o metal precioso.

Esta terça-feira a Old Mutual Global Investors previu que dentro de cinco anos o preço por onça do ouro atinja máximos históricos, a beneficiar do recurso a um refúgio de possíveis explosões de bolhas de activos em mercados de dívida ou nas bolsas.

Destaques do dia

BPI propõe ceder controlo do BFA a Isabel dos Santos em troca da desblindagem de estatutos. Em vésperas de assembleia geral, a administração do BPI enviou para Luanda uma proposta que permite resolver o impasse da desblindagem de estatutos e o problema da exposição excessiva a Angola.

BCE exige solução para impasse no BPI. O BCE exige uma solução rápida e definitiva para o impasse no BPI. A mensagem “dura” chegou ao banco e seus accionistas nas últimas semanas. A assembleia-geral desta quarta-feira deve ser decisiva.

Fed abre a porta a subida de juros. Apesar dos alertas das últimas semanas, a Fed deverá deixar os juros inalterados. Janet Yellen deverá fazer um discurso que os especialistas antecipam como cautelosamente agressivo, preparando os investidores para um agravamento dos juros em Dezembro.

PS manda calar Bloco de Esquerda. Carlos César avisa partidos que só o Governo pode falar sobre Orçamento até à sua entrega no Parlamento. Recado serve para o Bloco mas também para dentro do PS.

Há “novos investidores” interessados no Novo Banco. Os candidatos ao Novo Banco mostram “renovada atenção” na venda e há “novos investidores” interessados na dispersão de capital, revela Ramalho. Numa mensagem aos colaboradores, o banqueiro recusa venda em partes.

Metro de Lisboa já tem 22 milhões para arranjar estações em 2017. A administração do Metro de Lisboa, Carris e Transtejo garante que as três empresas vão contratar trabalhadores. Já quanto ao número de comboios, autocarros e navios que estão neste momento ao serviço, Tiago Farias considera que é suficiente.

O que vai acontecer hoje

BPI . Assembleia-Geral de Accionistas para votar desblindagem de estatutos no banco

Reserva Federal . Banco central norte-americano comunica decisão sobre a taxa de juro no país

Banco de Portugal. Divulga Boletim Estatístico, relativo a Agosto.

INE. Divulga Estatísticas do Comércio Internacional, em 2015. (Negocios)

por Paulo Zacarias Gomes

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