Zambianos tentam perceber propostas do referendo que participam esta quinta

Cartaz do partido de oposição, do candidato Hakainde Hichilema (DW)

Pelo menos 7 milhões de eleitores votarão para eleger o novo Presidente e representantes do Parlamento. Eleição será acompanha de referendo que está a causar dúvidas na população.

Os zambianos vão às urnas esta quinta-feira (11.08) para escolher o seu próximo presidente e representantes do parlamento. Juntamente com as eleições presidenciais e parlamentares, os cidadãos também votarão em um referendo para ampliar a Declaração de Direitos do país.

Na capital Lusaka, vive-se o clima das eleições de forma intensa. Ao sair do aeroporto, ao longo da principal estrada que nos leva ao centro financeiro da cidade, vê-se outdoors, banners e cartazes, em sua maioria do presidente em exercício Edgar Lungu e seu principal adversário Hakainde Hichilema.

Curiosamente, quase nenhum dos cartazes são do referendo no qual os zambianos vão decidir a possibilidade de incluir ou não os direitos ambientais, sócio-econômicos e dos media, que atualmente não estão garantidos na Constituição.

Conscientização sobre as propostas do refrendo

Críticos e especialistas legais têm alertado que o referendo da Zâmbia está a ser apressado, e que há necessidade de mais sensibilização e conscientização dos eleitores. Para descobrir o quanto o zambiano comum sabe sobre o referendo e a Declaração de Direitos, a DW abordou alguns residentes na capital Lusaka.

De acordo com Ankangua Clotilda, ela está deseinformada sobre o real motivo do refrendo desta quinta-feira. “Honestamente, eu estou bastante desinformada sobre isto. Eu não sei nada mesmo”, afirma.

Outra residente de Lusaka, Belinda Sandra, explica que teve acesso a alguns materiais do referendo, de onde tirou a única informação que sabe a respeito da votação. “Tenho apenas uma vaga ideia sobre o que realmente é este referendo. Isto é para escolher a Declaração de Direitos. Acho que é isto, de acordo com os panfletos do referendo que estavam a ser entregues. Penso que não deram tempo suficiente às pessoas.

Precisamos de mais discussão sobre o assunto, pois muitos cidadãos estão a dizer uns aos outros para ignorar o refrendo e apenas votar no candidato a presidente”, alerta Sandra.

Referendo direcionado pelos partidos políticos

Segundo outro cidadão residente em Lusaka, Bruskamba, os eleitores que vivem nas grandes cidades, como os da capital, estão mais informados sobre as propostas do referendo. “Mas aqueles nas outras zonas dificilmente compreendem aquilo em que terão de votar. Basicamente, eles votarão porque apoiam algum partido político”.

Bruskamba explica que “aqueles que apoiam o partido da Frente Patriótica, votarão SIM; e aqueles que apoiam o Partido da União para o Desenvolvimento Nacional basicamente votarão NÃO, pois o partido diz ‘NÃO’. O referendo está a ser dirigido desta maneira, principalmente porque os cidadãos tiveram pouco tempo para se aprofundar no tema discutido. Deveria haver mais tempo para as pessoas estarem cientes sobre a declaração de direitos e perceber porque uns dizem SIM e outros dizem NÃO”.

Redução de custos

O governo zambiano defendeu a decisão de incluir o referendo nas eleições gerais, argumentando que isto reduziria significativamente os custos. O Presidente Lungu, da Frente Patriótica governante, tem feito campanha para uma votação a favor do SIM, enquanto seu principal adversário, Hichilema, do Partido Unido para o Desenvolvimento Nacional, está pressionando os eleitores por um voto NÃO.

Para o secretário-geral dos vendedores de rua no Cairo Road, Justin Katala, o referendo não está sendo executado com a seriedade que merece. “O chamado referendo é uma zombaria ao povo da Zâmbia, porque a maioria das pessoas não sabem o que elas vão votar. Eles desconhecem as propostas do referendo”.

Segundo a Comissão Eleitoral da Zâmbia, cerca de 7 milhões de eleitores votarão para decidir sobre seu próximo presidente, vice-presidente, legisladores, prefeitos, representantes locais e a possibilidade de alterar a Constituição. Uma coisa é certa: os eleitores zambianos terão muito em que votar na próxima quinta-feira. (DW)

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