VII Congresso do MPLA é de todas as decisões – Belarmino Van-dúnem

Analista político Belarmino Van-Dúnem (Foto: Pedro Parente)

O analista político Belarmino Van-dúnem ressaltou esta terça-feira, em Luanda, a reunião magna do MPLA, com início previsto para quarta-feira (17) na capital angolana, como o “Congresso de todas as decisões” face ao contexto actual e os desafios que se avizinham.

Numa análise sobre os desafios do partido que governa Angola durante o seu conclave, a decorrer até sábado (20) sob o lema “MPLA – com o povo, rumo à vitória”, Belarmino Van-dúnem argumentou este facto por considerar que o mesmo será marcado por reformas significativas.

Para si, o MPLA enquanto um partido que governa e bastante enraizado na sociedade angolana e vivendo os problemas desta, não deixará de abordar neste Congresso a nova realidade do país, bem como as transformações que foram acontecendo a distintos níveis.

Refere-se que lendo os seus estatutos e analisando as suas acções, tem-se uma clara noção de que esta formação política está convicta de que há a necessidade de se continuar a aplicar o socialismo democrático, dando oportunidades aos angolanos para que possam melhorar as suas condições de vida, o trabalho para o crescimento das infra-estruturas, bem como o aumento da produção e industrialização para que o país deixe de ser dependente das importações.

“Este é o Congresso de todas as decisões, porque estou convicto de que do mesmo sairão estratégias que tornarão o partido cada vez mais próximo da população e da realidade dos angolanos”, acrescenta.

O alargamento do Comité Central

Fazendo uma abordagem sobre a decisão do alargamento do Comité Central desta formação política, de 311 para 363, o analista referiu que a mesma irá permitir uma maior interacção entre a juventude e os militantes ou dirigentes com mais experiência, bem como uma nova dinâmica.

Ressaltou o facto de ser o MPLA uma formação política que ao longo dos vários anos tem dado continuidade às suas actividades de formação no domínio ideológico, tal como desenvolvido acções para melhor coesão interna.

Belarmino Van-dúnem acrescentou que uma análise cuidada sobre as personalidades que passarão a ingressar o Comité Central não deixará dúvida de que houve, nesta decisão, a intenção da super estrutura do MPLA de renovar, até certo ponto, mas na base da harmonia.

“Se olharmos vimos que entraram jovens com um trabalho muito grande e visível. É preciso dizer que, por vezes, as pessoas confundem aquilo que é a vida política pública a partir dos meios de Comunicação Social, com o activismo político”, salientou.

Dai considerar que muitos dos que entrarão pela primeira neste órgão e alguns que se mantiveram têm feito um bom trabalho de base com as massas, porém, na visão do analista, muitas vezes isto não é visível ao nível da Comunicação Social, por este facto estas pessoas não são conhecidas publicamente, mas são essenciais e indispensáveis para o crescimento do partido, comunicação e sua dinâmica.

“Devemos dizer que o alargamento é um ajusto, mas não resulta da pressão como muitas vezes se tem dito”, acrescenta.

Manifestou a opinião de que esta foi uma decisão sábia porque esses jovens que entraram, de certeza, tal como as outras personalidades que já lá se encontram irão dar um contributo bastante significativo para o fortalecimento do partido, tornando-o cada vez mais adaptado à realidade do país, como tem sido até agora.

A questão da sucessão na liderança do partido

Durante a entrevista, fez ainda abordagens sobre o anúncio feito pelo líder do partido de que pretende retirar-se da vida política activa em 2018, considerando a mesma como sendo uma decisão pessoal do Presidente José Eduardo dos Santos, porém na sua visão não existe dúvida de que ainda vai liderar o partido nos próximos desafios, com destaque para as eleições gerais previstas para 2017.

Para este especialista, os congressistas irão manifestar a sua unidade em torno da liderança rumo aos grandes desafios e não se deverá antecipar a decisão que foi anunciada perante o Comité Central, pois considera que a seu tempo caberá ao próprio líder e às estruturas competentes avaliarem como será feita a implementação desta decisão, caso se mantenha.

Por este motivo considera que os angolanos verão um partido unido naquilo que é a Moção de Estratégia do líder e os grandes desafios perante a Nação.

“O MPLA possui um grande número de quadros, uma rica história e não precisa de vir a público discutir questões internas, ao contrário do que acontece noutras formações políticas e também não precisa fingir que tem vários candidatos à sucessão, quando acredita no seu líder e que a unidade está à sua volta”, salienta.

Para si, “é evidente que esta é uma falsa questão, porque a seu tempo as pessoas saberão quem é o sucessor. Portanto, se houver eleições e 2017 e o presidente José Eduardo dos Santos aparecer como cabeça de lista, automaticamente todo mundo saberá que o segundo que aparecer na proposta dos parlamentares do MPLA será Vice-presidente e, automaticamente, numa situação destas constitucionalmente caberá a esta pessoa suceder”.

A trajectória e as expectativas

Pelo seu percurso histórico, disse que o MPLA tem demonstrado uma grande capacidade de adaptação à realidade, provando-o facto de ter superado as dificuldades do período de conflito armado, trabalhado arduamente para o restabelecimento da paz, liderando o processo de reconciliação nacional, fazendo a transição democrática e liderando o amadurecimento das instituições democráticas nacionais.

Dai ter referido que neste congresso será reafirmado o caminho no sentido do fortalecimento das instituições nacionais, de uma cada vez maior industrialização do país e do desenvolvimento agrícola, contando com a participação de todos no processo de desenvolvimento.

É isso, na visão deste analista, que a sociedade e os seus militantes esperam do Congresso, que deverão ser espelhadas na Moção de Estratégia do líder do partido, já apresentada ao Bureau Político do MPLA, porque ela irá mostrar os caminhos, do ponto de vista da prática, da estratégia do partido para as eleições de 2017. (ANGOP)

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