Turistas angolanos gastam menos nas lojas de Lisboa

Turistas angolanos faziam aquisições em grande volume de marcas de luxo, por exemplo na área da alta costura. (DW)

A crise económica e financeira em Angola também se sente nas avenidas nobres de Lisboa, onde muitos angolanos costumavam fazer compras em lojas de luxo.

Não faltam motivos para visitar Lisboa. Por este meses, a capital portuguesa enche-se de turistas de várias origens. E as ruas ficam cheias de vida, com gente nas esplanadas a falar várias línguas e artistas de rua. Encontramos Ângela Delfina a dançar, ao som de ritmos africanos. A angolana veio a Portugal com a família passar férias.

Em Lisboa a língua é a mesma, a comida é boa e há muitas áreas bonitas, explica Ângela. Mas a logística para as férias de um mês teve de ser devidamente ponderada e calculada devido à situação económica e financeira em Angola. Não foi fácil arranjar euros em Luanda.

“Não há divisas para vir para aqui”, diz. A família de Ângela começou a tentar adquirir euros há mais de cinco meses, mas nem todos estarão dispostos a fazer o mesmo: “Acho que o fluxo de turistas angolanos diminuiu muito por causa do que se está a viver lá em Angola.”

Angolanos consomem menos

A conjuntura é tão adversa que muitos dos angolanos que se habituaram a vir para Portugal fazer compras ou em visita turística tiveram de adiar os planos para 2017 ou para quando a situação melhorar em Angola.

Aqueles que, mesmo assim, visitam a capital portuguesa gastam cada vez menos em compras.

O Observatório do Turismo de Lisboa revelou recentemente que o gasto médio de turistas angolanos em 2015 não ultrapassou os 340 euros por pessoa. De acordo com a instituição, os valores de maio último representam uma quebra de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A diminuição do consumo angolano, que se registou desde o início daquele ano, fixou-se nos 5%.

Sem se identificar, uma gerente de uma das lojas de marcas de luxo da Avenida da Liberdade confirma a tendência, embora apresente um outro motivo para a quebra do consumo: “De início é novidade e há a curiosidade da visita [dos clientes]. Depois, começam a ter muitas peças da marca e não têm necessidade de estar sempre a comprar. Isso não acontece só com angolanos.”

Hotéis também foram atingidos

O setor da hotelaria também foi afetado, segundo André Barata Moura, coordenador do Observatório do Turismo de Lisboa.

“Relativamente às dormidas, houve um agravamento da queda do mercado angolano. De janeiro a abril, a diminuição anda nos 20%. Vamos ver como será no resto do ano, até porque agosto é o mês preferido pelos angolanos para visitarem Lisboa”, afirma o responsável.

O coordenador do Observatório considera que, até o final do ano, não é de esperar uma mudança deste cenário, face à baixa do preço do petróleo no mercado internacional que influencia a desvalorização cambial e pode inviabilizar o crescimento.

A dimuinuição da procura angolana tem sido, no entanto, compensada por outras fontes de receita. “Felizmente os mercados europeus têm estado a crescer bem, se atendermos às quebras que existem no mercado angolano, russo e brasileiro”, diz André Moura. (ANGOP)

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