Soares da Costa avança para protecção de credores

(Negocios)

A construtora dá esta terça-feira entrada com um Processo Especial de Revitalização (PER). Até à próxima semana pretende regularizar a maioria dos pagamentos em atraso aos trabalhadores.

A Soares da Costa vai dar entrada esta terça-feira, 9 de Agosto, com um pedido para entrar em Processo Especial de Revitalização (PER) junto do Tribunal do Comércio de Gaia.

Ao Negócios, o CEO da construtora, Joaquim Fitas, justificou a decisão, tomada pelos accionistas por unanimidade, com a evolução dos mercados em que a Soares da Costa está presente – Angola, Moçambique e Portugal – e com a situação da empresa.

O responsável sublinhou que o PER “vem defender os interesses dos trabalhadores, fornecedores e credores”, salientando que após o despacho do tribunal a banca disponibilizará apoio de tesouraria.

Joaquim Fitas garantiu que entre esta semana e a próxima o grupo vai proceder à regularização da quase totalidade dos pagamentos aos trabalhadores de todas as geografias, numa altura em que o grupo tem salários em atrasos, em média, de quatro meses.

Joaquim Fitas garantiu que com o recurso ao PER “não há uma inflexão de estratégia”, mas sim “criar protecção da empresa de tentativas que a pudessem comprometer”.

O responsável mostra-se confiante no apoio da banca à reestruturação, sendo que as previsões da empresa apontam para que consiga ultrapassar a actual situação no prazo de dois anos.

A dívida bancária e a fornecedores da Soares da Costa ultrapassa os 550 milhões de euros, mas Joaquim Fitas sublinha que o crédito sobre clientes do grupo ronda os 400 milhões de euros.

Os maiores credores da empresa são o BCP, Caixa geral de Depósitos e Millennium Atlântico.

No último ano e meio, a estrutura de custos do grupo reduziu-se em 30% e a carteira de encomendas aumentou em 200 milhões, o que Joaquim Fitas reconhece não ter sido suficiente face às expectativas.

A Soares da Costa é detida em 33,3% pela SDC – Investimentos, empresa cotada, que está a subir 3,12% para 0,033 euros. (Negocios)

por Maria João Babo

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