Sistema Desportivo: Seminário aponta saída para a crise

(Foyo: D.R.)

A primeira vice-presidente da Assembleia Nacional (AN), Joana Lina, afirmou ontem, em Luanda, que dois anos após a aprovação dos principais instrumentos jurídicos do sistema desportivo e do associativismo desportivo nacional, surge o desafio de avaliar o modelo de desenvolvimento neles consagrados através da sua implementação prática.

Ao falar na abertura do “Workshop”, que decorre na sala Multiuso do Parlamento, sobre soluções para minimizar os efeitos da crise no sistema desportivo, em representação do Presidente da AN, Fernando da Piedade Dias dos Santos, disse ser certo que os instrumentos em causa estabelecem os princípios orientadores, mas também delimitam as áreas de intervenção dos agentes e dos destinatários do apoio do Estado virado para o fomento da prática do desporto.

Esta prática de apoio do Estado à actividade desportiva, de acordo com Joana Lina, foi sempre virtude do Executivo, que interpretando os preceitos constitucionais, viabiliza a sua concretização por esta via.

“Durante muitos anos os agentes desportivos no nosso país foram beneficiando destes apoios. Contudo, este modelo de financiamento tornou-se um subsídio dependente cujas consequências em tempo de crise são por demais evidentes e conhecidas”, acrescentou.

Perante uma plateia constituída por dirigentes e agentes desportivos, atletas e antigos praticantes, a parlamentar afirmou não ser aconselhável continuar a perpetuar aquele modelo sob pena de coarctar iniciativas em busca de outras fontes de financiamentos, com vista a garantir a transparência e eficiência que o mercado exige.

Sobre os apoios do Estado, referiu ter o Executivo investido de maneira significativa, acrescentando que o país conta com vários equipamentos e infra-estruturas que em tempos de crise “somos todos chamados a reflectir sobre a sua maximização no âmbito do fomento e da busca de alternativas para o financiamento do desporto”.

Joana Lina disse que a crise financeira desafia todas as forças vivas da nação, para com imaginação e criatividade conseguir-se fazer um enquadramento sem paixões nem clubismo, uma vez que o momento exige visão integrada do sistema desportivo do país.

Joana Lina Indicou ter o “workshop” o mérito, entre outros, de trazer para o debate a questão das temáticas inovadoras inseridas à lei dos desportos, os mecanismos gerais e a profissionalização desportiva.

O momento exige o aprofundamento da autonomia do desporto profissional que durante algum tempo parecia robusto e bem encaminhado, mas a crise tem-se encarregado de arruinar as suas bases.

A deputada à Assembleia Nacional afirmou ser o desporto, nas várias modalidades, dos pilares da sociedade angolana que nos momentos mais difíceis da história pós-independência conseguiu trazer alegrias aos angolanos e foi capaz de cimentar a unidade nacional e o amor à pátria e à bandeira nacional.

O momento menos bom que o país atravessa exige a cada um esforço adicional e patriótico, na consciência colectiva, na dinâmica no trabalho e na racionalização dos recursos postos à disposição de todos.

Por fim, disse “estamos convictos de que, tal como no passado, essa contribuição da Assembleia Nacional irá elevar as nossas responsabilidades para vencer mais essa etapa de dificuldades”.

PARLAMENTO
Agentes desportivos debatem soluções

“Enquadramento Legal e Organizacional no Âmbito da Lei do Desporto e da Lei das Associações Desportivas” foi tema de debate ontem, em Luanda, por parte de agentes desportivos, designadamente dirigentes, atletas e antigos praticantes, em um “workshop” sobre soluções no desporto em tempo de crise.

Organizado pela Sétima Comissão da Assembleia Nacional (AN), na sala Multiuso daquela casa de leis, a acção teve como prelector o jurista em direito desportivo, Mário Freud, numa jornada em que as intervenções da plateia acabaram por “apimentar” o debate.

Paulo Madeira e Tony Sofrimento, respectivamente, presidente e secretário-geral da FAB, António da Luz (secretário-geral do Comité Paralímpico), antigos praticantes como os basquetebolistas Kicas Gomes e Eduardo Mingas, Odete Tavares e Elisa Weba (andebol), Luís Cazengue (futebol), Domingos Tomás (Associação de futebol), Fernando Barbosa (director do 1º de Agosto) e Nuno Teixeira (secretário técnico da FAB) destacaram-se entre a plateia.

No geral, as questões apresentadas basearam-se, entre outros, na necessidade de maior avaliação jurídica relativamente aos clubes com proprietário, abrindo a possibilidade de realização de eleições a nível da direcção, reserva de espaços desportivos nas centralidades e necessidade de novos paradigmas de actuação no associativismo desportivo nacional.

A actividade, cuja abertura foi realizada pela primeira vice-presidente da AN, Joana Lina, em representação do presidente, Fernando da Piedade Dias dos Santos, foi encurtada devido ao adiamento do segundo painel “Novas Formas de Financiamentos” para outra ocasião, em Outubro ou Novembro.

O início do “workshop” foi solene com música ao vivo, algumas das quais do género trova, recordando os irmãos Kafala. (jornaldosdesportos)

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