Serra afirma que Venezuela não assume presidência do Mercosul

O chanceler José Serra, em Brasília, no dia 17 de agosto de 2016 (AFP)

O chanceler José Serra afirmou nesta quarta-feira que a Venezuela não assumirá a presidência do Mercosul porque é um país governado “por um regime autoritário” e não reúne as condições para presidir o Bloco.

“A Venezuela não vai assumir o Mercosul, isto é certo”, disse Serra a jornalistas após receber líderes opositores venezuelanos no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

“Estamos buscando uma fórmula, que tem que ser encontrada, para poder levar o Mercosul até dezembro para que em janeiro assuma o presidente (argentino, Mauricio) Macri”, declarou Serra, que desde que assumiu a chancelaria tem adotado um tom duro com o governo de Nicolás Maduro.

O Mercosul atravessa sua pior crise em anos diante da negativa de Brasil, Paraguai e Argentina em admitir a presidência temporária da Venezuela, devido à crise política que abala o país caribenho.

Serra avaliou que a entrada da Venezuela no Mercosul, em 2012, foi “através de um golpe”, porque ocorreu enquanto o Paraguai – que rejeitava a admissão de Caracas – estava temporariamente suspenso do Bloco devido a uma crise política interna.

“A Venezuela vive sob um regime autoritário, não democrático. Um país que tem presos políticos não pode ser um país democrático”, declarou Serra, que recebeu o deputado Luis Florido e a mulher do líder opositor Leopoldo López, condenado a 14 anos de prisão por fomentar a violência durante a onda de protestos contra Maduro em 2014.

Serra afirmou que as relações com o Uruguai “voltaram à normalidade” após o breve mal-estar por uma suposta pressão do Brasil envolvendo a crise no Bloco.

O chanceler uruguaio, Nin Novoa, disse que o Brasil tentou “comprar o voto do Uruguai” na crise da transferência da presidência do Mercosul.

“O chanceler uruguaio me telefonou há pouco e disse que os fatos divulgados ontem não passaram de um mal-entendido. Tudo voltou ao normal”, destacou Serra.

Há três semanas, o Uruguai concluiu seu período na presidência do Mercosul e defendeu a entrega da liderança à Venezuela, dentro do critério de ordem alfabética.

Apesar da oposição de Brasil, Paraguai e Argentina, Caracas içou a bandeira do Mercosul na capital venezuelana para simbolizar o início do seu período na presidência do Bloco. (AFP)

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