Sánchez diz que reunião com Rajoy foi inútil. Terceira eleição à vista

(Reuters)

Depois da reunião com Mariano Rajoy, o líder do PSOE não deixou dúvidas: o seu objectivo continua a ser derrubar o Governo do PP.

A reunião durou menos de 30 minutos e, para Pedro Sánchez, foi inútil. “Acho que foi uma reunião perfeitamente dispensável, na minha opinião”, afirmou o líder do PSOE, citado pelo El Periódico. Sánchez acusou Mariano Rajoy de falta de capacidade para alcançar consensos. “O PSOE está a cumprir a sua palavra: acabar com o Governo e com Rajoy.”

Ou seja, fica claro que os 85 deputados do partido socialista “vão dizer não a Rajoy”, uma vez que este “não conta com a nossa confiança”, acrescentou, Sánchez. “Porque um partido que envergonha todos os espanhóis não pode fazer as reformas que o nosso país precisa; e porque por trás do acordo com o senhor Rivera [líder do Cidadãos] está a perpetuação das políticas nocivas dos últimos quatro anos.”

O líder socialista refere-se ao acordo a que o PP e o Cidadãos chegaram no domingo, 28 de Agosto, no sentido de facilitar a formação de Governo por Rajoy. Uma solução que surge depois de Alberto Rivera ter dito durante a campanha eleitoral que não apoiaria o PSOE nem o PP. O veto a Rajoy foi uma das suas bandeiras eleitorais. “Estou disposto a não ter credibilidade pelo bem deste país”, justificou-se ontem.

No entanto, o acordo entre PP e Cidadãos não é suficiente para formar um novo Governo. É necessário que o PSOE vote a favor ou se abstenha. “Não é uma questão de simpatia, mas sim de sentido de Estado e responsabilidade. Há 100 reformas que acordámos com Pedro Sánchez e hoje [ontem], este documento, plasma esse espaço comum”, afirmou Rivera em entrevista à Telecinco, citado pelo El Mundo.

Para Sánchez, se antes já havia motivos para chumbar o novo Governo, o acordo com o Cidadãos ainda lhe dá mais razões. Quanto a alternativas, o líder do PSOE não foi claro. Questionado sobre a possibilidade de um Governo à esquerda, disse apenas que “o PSOE fará sempre parte da solução”.

Rajoy, que falou minutos depois, confirmou que irá à investidura com 170 votos, faltando-lhe seis votos a favor. “Vou continuar a tentar com o PSOE, que tem a chave, porque é a minha obrigação e porque Espanha precisa de um Governo”, sublinhou o líder do PP. “Estamos numa situação anómala e de bloqueio que não leva a nada e começa a minar o nosso crédito como país.”

Este desenlace significa que dificilmente haverá novo Governo em Espanha e deixa o país mais perto de novas eleições, as terceiras no espaço de um ano, que deverão ter lugar a 25 de Dezembro. Recorde-se que Espanha foi a eleições, pela segunda vez este ano, a 26 de Junho. O PP, de Rajoy, voltou a vencer as eleições mas sem maioria absoluta. E, desde então, tem negociado com a oposição mas sem conseguir garantir um apoio que lhe garanta a investidura. (Negocios)

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