Roubos e agressões perturbam Jogos Olímpicos do Rio

Vista aérea do Boulevard Olímpico, no Rio de Janeiro, no dia 26 de julho de 2016 (AFP)

O crime não é um fenômeno novo nas Olimpíadas, mas, no Rio de Janeiro, tem assumido proporções alarmantes com a multiplicação de roubos e de agressões próximo aos locais de competição.

Os jornalistas, especialmente fotógrafos e cinegrafistas, pagam um preço alto há uma semana com o furto de suas câmeras e lentes caras nos escritórios da imprensa credenciada, no centro da cidade, em ônibus e até mesmo nos estádios.

Os cariocas estão acostumados, mas os visitantes estrangeiros nem tanto, além de estarem igualmente chocados com a morte de duas pessoas a tiros perto do estádio do Maracanã na noite da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos.

A história de Brett Costello, fotógrafo da News Corp, tem sido uma das mais comentadas. O australiano teve seu equipamento de dezenas de milhares de dólares roubado. Ele foi capaz de reconhecer o ladrão, poucos dias depois, portando seu colete de fotógrafo credenciado para os Jogos Rio 2016.

“Reconheci meu número, sempre tenho um colete. Se alguém entra com o meu, que me foi roubado há dois dias, há um problema, certo?”, declarou ao do jornal The Australian.

As imagens do roubo, filmado por câmeras de segurança, foram postadas no site do Daily Telegraph australiano.

O roubo acontece em três etapas: uma mulher que desvia a atenção, um homem que pega a mochila, e um terceiro que orienta a vítima em pânico em uma direção diferente.

Ministro português

A Agence France-Presse (AFP), que tem um espaço de 700 metros quadrados no Centro de Imprensa Principal no Parque Olímpico, para 180 pessoas credenciadas, já sofreu vários roubos em suas instalações. Um deles foi capturado por câmeras de vigilância. As imagens mostraram um homem e uma mulher correndo com uma mala cheia de material, também vestindo coletes oficiais.

“Obviamente, nós alertamos as autoridades. Há um problema de segurança. Algumas pessoas conseguem entrar nas instalações e nos ônibus da organização sem credencial”, lamenta o chefe de Operações do departamento de fotografia da AFP, Eric Baradat.

A imprensa não é o único alvo. Vários atletas chineses se queixaram de roubos.

Shi Dongpeng, especialista nos 110 m com barreiras, contou à imprensa estatal que teve seu laptop roubado.

Também houve roubos na delegação dinamarquesa na Vila Olímpica, que ficaram sem “telefones, iPads e até mesmo lençóis”.

Nem as autoridades estão a salvo de uma visita indesejada. O ministro português da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, foi atacado no sábado (6) em Ipanema, um dos mais conhecidos e turísticos bairros do Rio.

COI não se arrepende

Segundo o jornal Extra, o ministro foi agredido e ameaçado com uma faca até entregar seu dinheiro, telefone celular e bolsa.

É difícil esperar uma melhora radical da situação. O Rio é, infelizmente, uma cidade conhecida por suas altas taxas de criminalidade.

O porta-voz do Comitê Olímpico Internacional (COI), Mark Adams, disse que não lamenta a escolha do Brasil.

“Essas coisas vão acontecer na rua, infelizmente, e é terrível”, disse ele, quando perguntado sobre o ataque a dois remadores australianos.

Para o COI, é importante que os Jogos Olímpicos possam explorar novos territórios e que a América do Sul possa comemorar sua primeira Olimpíada de sua história.

“É importante que os Jogos Olímpicos não sejam restritos a apenas um pequeno clube europeu, ou americano. Precisam se espalhar por todo o mundo”, defendeu ele. (AFP)

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