Rio2016: Brasil ganha ‘herói’ com campeão surpresa do salto com vara

(Reuters)

O atletismo nos Jogos Olímpicos continua a proporcionar resultados espectaculares e o Rio2016 vibrou esta segunda-feira como nunca, com a vitória de um atleta da casa, Thiago Braz da Silva, a derrotar o ‘imbatível’ francês Renaud Lavillenie, com uma grande marca.

A final do salto com vara fechou um programa ‘flagelado’ pela chuva, com suspensão das provas por mais de 20 minutos e até repetição de corridas, o que não impediu grandes marcas também nos 800 metros, com o queniano David Rudisha a defender o título, e nos 400, com Shaunae Miller, das Bahamas, literalmente a ‘voar’ para o ouro.

A ronda já trazia, da sessão da manhã, um recorde mundial no martelo, para a polaca Anita Wlodarczyk, e a segunda marca de sempre nos obstáculos, para Ruth Jabeth, do Bahrein.

Thiago Braz da Silva, de 22 anos, é o novo ‘herói’ do desporto brasileiro, arrecadando uma medalha de ouro que só era esperada no sector feminino, com Fabiana Murer.

O antigo campeão do Mundo júnior quebrou por duas vezes o recorde sul-americano e, com 6,03 metros à segunda tentativa, saltou para sexto melhor de sempre, derrotando assim Lavillenie, recordista mundial e campeão de Londres2012.

Não estava na primeira linha de favoritos mas foi o melhor nos momentos decisivos, ganhando a batalha psicológica de mandar subir a fasquia e prescindir de saltos, face a um adversário que até aos 5,98 metros tinha um percurso limpo.

Lavillenie parecia em rota para defender o título: entrou só a 5,75 e limpou por quatro vezes, até 5,98.

Com uma réplica que não costuma ter, falhou por pouco por duas vezes a 6,03 e depois, em desespero de causa, mandou subir a fasquia para 6,08, uma marca que só ele próprio e o ucraniano Sergey Bubka já passaram.

Numa final muito interessante, com cinco atletas acima dos 5,75, o norte-americano Sam Kendricks ficou com a medalha de bronze, com 5,85.

Quem revalidou o título foi Rudisha, também recordista do mundo dos 800 metros, hoje creditado com 1.42,15, melhor marca mundial do ano.

Em segundo, Taoufik Makhloufi melhorou o recorde da Argélia para 1.42,61 e o norte-americano Clayton Murphy fez recorde pessoal, com 1.42,93 – uma medalha de bronze com sabor especial, já que a anterior dos EUA, também do mesmo metal, de Johnny Gray, era de 1992.

A final dos 400 metros femininos teve um desfecho pouco visto, com Shaunae Miller, das Bahamas, totalmente em queda na passagem da meta, face a uma reacção fantástica da norte-americana Allyson Felix.

Claramente exausta e a ver o título a escapar, Miller atirou-se para a frente e ‘mergulhou’ sobre a meta, segurando a vantagem por escassos sete centésimos de segundo sobre Felix – 49,44 segundos (melhor marca do ano) e 49,51.

A velocista das Bahamas chegou ao Rio de Janeiro com o melhor tempo de 2016 e com o estatuto de vice-campeã do mundo, no ano passado, atrás de Felix. O pódio de hoje acaba por ser composto pelas mesmas atletas dos Mundiais de 2015, já que o bronze foi para a jamaicana Shericka Jackson, com 49,85 segundos.

Na sessão da manhã, Anita Wlodarczyk, melhorou o seu próprio recorde para 82,29 metros, enquanto Ruth Jebeth, do Bahrain, passou para segunda de sempre do ‘ranking’ de 3.000 m obstáculos, com 8.59,75 minutos.

E na ginástica, o sonho das cinco medalhas de ouro de Simone Biles esfumou-se, já que a jovem texana, três vezes campeã no Rio de Janeiro, não foi além do bronze na final da trave e assim passa a ter como limite quatro triunfos, caso vença no solo mais logo, numa prova em que é grande favorita.

No dia em que primeiro dia sem qualquer ouro olímpico para os Estados Unidos desde 20 de agosto de 2008, fica por realizar o objectivo mais ambicioso, já que Biles ficou atrás da holandesa Sanne Wevers, nova campeã, e da também norte-americana Lauren Hernandez.

Ainda na ginástica, entregaram-se duas medalhas de ouro no sector masculino, uma para o grego Eleftherios Petrounias (argolas) e outra para o norte-coreano Ri Se-gwang (salto de cavalo), curiosamente a suceder na lista de campeões a um ginasta sul-coreano.

Num dia em que foram adiadas as duas regatas por medalhas de Laser, a praia de Copacabana assistiu à primeira final de águas abertas, os 10 km femininos, com vitória da holandesa Sharon van Rouwendaal, a vice-campeã de há quatro anos.

A italiana Rachelle Bruni arrebatou a medalha de prata e a brasileira Poliana Okinoto a de bronze, despois da desqualificação da francesa Aurelie Muller, campeã olímpica de Londres, que terminara na terceira posição.

Sem surpresas, A britânica Charlotte Dujardin, montando Valegro, revalidou o título de ensino individuais, superando no final duas cavaleiros germânicas.

No boxe, a final dos pesados – 91 kg – coroou russo Evgeny Tishchenko, que derrotou na final o cazaque Vassiliy Levit. (Negocios)

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