Rio de Janeiro regista novo fluxo de refugiados angolanos

(ABOLA)

Nos dois últimos anos, pedidos de angolanos a asilo político no Brasil voltou a aumentar. Mas desta vez eles têm um perfil diferente.

O fluxo migratório de angolanos com destino ao Rio de Janeiro, no Brasil, voltou a aumentar. Desta vez com um novo perfil. Se nos anos 1990 eram maioritariamente homens e jovens que deixavam Angola por causa da guerra civil, que durou até 2002, hoje chegam ao Aeroporto Internacional Tom Jobim sobretudo mulheres acompanhadas pelos filhos.

A informação é da Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro, que recebe essas pessoas por meio do Programa de Atendimento a Refugiados. Segundo a coordenadora do programa, Aline Thulle, durante o período da guerra civil em Angola, cerca de 2.300 angolanos pediram refúgio no Estado brasileiro. A maioria era de homens e jovens, que fugiam do recrutamento forçado que os levava para lutar na guerra.

Com o fim da guerra civil em Angola, o mesmo grupo passou a ter status de residente permanente, por continuar no território nacional e cumprir com todos os requisitos legais no Brasil. Agora, um novo fluxo migratório de angolanos volta a surgir, como revela a coordenadora.

Segundo fluxo de refugiados

“O segundo fluxo de refugiados vem aumentando agora nos últimos dois anos. A gente tem hoje 156 pessoas de Angola aguardando resposta do Governo brasileiro. E destes, 89 chegaram somente agora, no ano de 2016. Então este é um fluxo que volta aumentar novamente”, afirma Thulle.

De acordo com a coordenadora do programa da Cáritas, este novo fluxo de refugiados quer deixar Angola devido as frequentes violações dos direitos humanos no país. “Agora os refugiados têm um perfil um pouco diferente, pois são pessoas que especialmente estão fugindo de violações de direitos humanos, e não mais por conta da guerra, e sim por violações diversas. E percebe-se também uma mudança no perfil. Agora a chegada é maior de mulheres com crianças”, revela.

Pelas informações obtidas da Cáritas, os angolanos são o maior grupo com status de refugiados reconhecidos na cidade do Rio de Janeiro. Os dados representam 56,2% de todos os estrangeiros que se mudaram para a capital fluminense por motivos de perseguição política, social ou religiosa em seu país de origem.

Histórias de quem se mudou para o Rio

O angolano Álvaro Vidal, de 62 anos, é um dos refugiados que hoje residem no Rio de Janeiro. Ele lembra com tristeza os momentos sangrentos vividos em Angola.

“A guerra é sempre uma coisa negativa. Os bombardeamentos, os tiros. O povo sofria muito com a guerra. Graças a Deus, hoje o país está pacificado, mas aquela época era terrível. Eu até participei da guerra e levei um tiro no pé. Isso nunca vai sair da minha cabeça. O país agora está em paz, graças a Deus”, relata Vidal, que trabalha como mecânico no Rio.

O artista plástico José Barros vive há 24 anos no Rio de Janeiro. Ele conta que os conflitos armados, após a independência do seu país, em 1975, resultaram em um período de escassez de comida.

“As guerras que são impostas faz com que a gente não produza. A gente não consegue produzir nos campos. Estes campos estão minados. Então o povo é obrigado a fugir de uma tribo e se mudar para a capital”, lembra-se o artista plástico.

Actualmente, cerca de mil famílias de angolanos, entre refugiados e residentes, vivem no Complexo de Favelas do Alemão, no Rio de Janeiro. (DW)

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