Reino Unido e França querem sanções da ONU contra Síria

O presidente sírio, Bashar Al-Assad, em Damasco, no dia 21 de Julho de 2016 (AFP)

Reino Unido e França pediram ao Conselho de Segurança da ONU, nesta terça-feira (30), a aprovação de sanções contra a Síria, depois que uma investigação da organização concluiu que o governo de Damasco lançou ataques com armas químicas.

Quando seguiam para uma reunião para tratar dos resultados da investigação, os embaixadores de Londres e Paris na ONU descreveram o uso de armas químicas contra civis como um crime de guerra.

“A França apoia uma resposta rápida e enérgica do Conselho de Segurança”, disse o embaixador francês, François Delattre.

Isso significaria “impor sanções aos responsáveis por esses atos, que constituem crimes de guerra e contra a humanidade”, declarou à imprensa.

A embaixadora americana, Samantha Power, não especificou quais medidas deveriam ser tomadas, mas pediu ao Conselho de Segurança que aja com rapidez para garantir que os responsáveis de usar armas químicas “sejam castigados”.

Em um relatório divulgado na semana passada, um painel de investigação criado pelo Conselho de Segurança disse que forças do presidente Bashar al-Assad haviam lançado pelo menos dois ataques com armas químicas – um em 2014, e outro, em 2015.

Informes anteriores da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) concluíram que, na guerra civil síria, iniciada há cinco anos, gases tóxicos foram utilizados como armas. Pararam de ser usados pouco antes de se identificar os agressores.

Conhecido como Mecanismo de Investigação Conjunta, o painel apontou pela primeira vez para o regime de Al-Assad como responsável pelo uso de armas químicas, após anos de negativa de Damasco.

O embaixador britânico, Matthew Rycroft, disse que o Conselho “estudará a aprovação de sanções e alguma forma de imputar responsabilidades no âmbito da legislação internacional”.

Rycroft acrescentou que é “essencial dispor de uma resposta internacional sólida” e aprovar “medidas no marco do capítulo 7” da Carta da ONU, que contempla sanções.

A proposta de aprovar sanções contra Damasco deve enfrentar resistência da Rússia, aliado da Síria.

Síria e Rússia questionam relatório

A Síria rejeitou as conclusões do documento da ONU, nesta terça, alegando que não há provas físicas que corroborem a investigação.

“Essas conclusões carecem de evidência física, sejam amostras, sejam boletins médicos certificados de que o cloro foi usado”, reclamou o embaixador sírio, Bashar Jaafari.

As conclusões do informe “estão baseadas unicamente em declarações de testemunhas apresentadas por grupos armados terroristas”, disse Jaafari à imprensa, após uma reunião do Conselho sobre o informe.

O governo sírio considera que é preciso continuar investigando os “possíveis” casos de ataques químicos mencionados no documento.

“Devemos conhecer a verdade sem que esses incidentes sejam manipulados com fins políticos”, acrescentou Jaafari.

Já o embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, disse hoje que o país não está disposto a aceitar os resultados da investigação.

“Há uma série de perguntas que devem ser esclarecidas antes de aceitarmos todos os resultados do informe”, declarou o embaixador Churkin aos jornalistas, na saída da reunião do Conselho.

Ele argumentou que os resultados do informe não motivam a imposição de sanções.

“Não há ninguém a quem sancionar no informe”, declarou Churkin. “Não contém nenhum nome, nenhum detalhe, nenhuma impressão digital”.

“Claramente, há uma prova irrefutável. Sabemos que é muito provável que se tenha usado cloro, mas não há impressões digitais na prova”, completou.

O painel investigador da ONU concluiu que helicópteros militares sírios largaram gás de cloro sobre pelo menos duas localidades da província de Idleb, no noroeste da Síria: em Talamenes, no dia 21 de Abril de 2014, e em Sarmin, em 16 de Março de 2015.

O relatório concluiu ainda que o grupo Estado Islâmico (EI) usou gás mostarda na cidade de Marea, no norte da província de Aleppo, em 21 de Agosto de 2015. (AFP)

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