Presidente moçambicano recusa retirar tropas da Gorongosa

(DPA)

O maior partido da oposição em Moçambique, a RENAMO, propôs um cessar-fogo mediante a retirada das tropas da zona onde se encontra o seu líder, Afonso Dhlakama. O chefe de Estado, Filipe Nyusi, não concorda.

A Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) sugeriu uma cessação das hostilidades se o Governo retirasse as tropas estacionadas na Gorongosa, na província central de Sofala, para outros pontos do país. A pretensão foi manifestada numa carta endereçada pelo líder do maior partido da oposição, Afonso Dhlakama, ao Presidente Filipe Nyusi, segundo o Executivo moçambicano.

Mas o Governo mantém o braço de ferro. Nyusi rejeitou a proposta da RENAMO.

“Havendo um cessar-fogo, cada parte armada, a RENAMO ou as Forças Armadas, permanece no lugar onde está”, afirmou o chefe da delegação do Governo na Comissão mista encarregue de preparar o encontro entre Nyusi e Dhlakama em resposta ao partido da oposição. De acordo com Jacinto Veloso, o Presidente moçambicano exige, igualmente, que a RENAMO cesse os ataques armados.

A proposta da RENAMO surge numa altura em que se regista uma escalada de ataques atribuídos ao partido contra alvos civis, governamentais e das forças de segurança em várias províncias do centro e norte do país. As forças do Governo são, igualmente, acusadas de levar a cabo uma ofensiva na Gorongosa, onde se encontra refugiado Afonso Dhlakama.

Diálogo não avança

Enquanto isso, o braço de ferro também se mantém na mesa de negociações com o Governo e a RENAMO, onde se debate, na presença de mediadores internacionais, a exigência da Resistência Nacional Moçambicana de governar em seis províncias.

Nos últimos dias, os mediadores reuniram-se em separado com as delegações de ambas as partes em conflito para aprofundar os seus posicionamentos em relação aos pontos em agenda. Segundo o chefe da delegação da RENAMO, José Manteigas, ainda não foram alcançados consensos quanto à governação nas províncias do centro e norte onde o partido reivindica vitória nas eleições de 2014.

“Neste momento é que começou a ser debatido”, disse Manteigas na quarta-feira (10.08) à saída do encontro com os mediadores. “Como devem saber, nas negociações não é muito fácil termos conclusões parciais. Estamos em debate. Por isso, evitamos trazer aqui pormenores. Os pormenores só terão de vir no fim, para não defraudar as expetativas dos moçambicanos.”

O Governo considera que a exigência da RENAMO é inconstitucional e recomenda o partido a aguardar por uma revisão da Constituição da República.

A mediação internacional optou por realizar encontros em separado com as duas delegações depois de um debate inconclusivo na última segunda-feira, o primeiro após um interregno de dez dias nas negociações. (DW)

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