Presidente do maior partido da oposição angolana está em Berlim

Isaias Samakuva – Lider da UNITA (Foto: Lino Guimarães/Arq)

A intenção de Isaías Samakuva, na capital alemã, é fortalecer laços de amizade, esclarecer o programa de seu partido UNITA para as eleições gerais de 2017 e abordar a situação de Angola.

Isaías Samakuva, o presidente do maior partido da oposição angolana, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), está em visita a Berlim.

Na capital alemã, Samakuva manteve encontros com instituições do Estado e membros da sociedade civil da Alemanha visando fortalecer laços de amizade, esclarecer o programa de seu partido para as eleições gerais de 2017 e abordar a situação do país.

Samakuva foi recebido na Fundação Konrad Adenauer, ligada à CDU (União Democrata Cristã), no Ministério das Relações Exteriores e visitou também o Instituto para Doenças Tropicais, além da Associação Africana da Economia Alemã, entre outros.

Em entrevista à DW África, o líder da UNITA revelou os detalhes da agenda em Berlim.

Começamos por perguntar-lhe o que o trouxe à capital alemã?

Isaías Samakuva: Sobretudo, transmitir os pontos de vista da UNITA, sobre o que esta UNITA gostaria de fazer quando, no próximo ano, ganhar as eleições.

DW África: Estão agendadas eleições gerais em Angola para Agosto de 2017. Como presidente da UNITA, Isaías Samakuva será também o candidato do partido à Presidência. Quais preocupações em relação a essas eleições foram apresentadas na Alemanha?

Isaías Samakuva: Estamos a pedir atenção da comunidade internacional para seguir esse processo eleitoral, porque queremos que ele seja transparente. Porque só na transparência é que se cria também estabilidade. O país diz-se estar estável agora porque há um sector da população que consente sacrifícios para que esta estabilidade seja possível. Mas, certamente, se as eleições correrem mal, nós poderemos ter um período de perturbação, o que não interessa a ninguém.

DW África: A Comissão Nacional Eleitoral (CN) marcou para o dia 15 de Agosto o início da actualização do registo eleitoral. Considera que estão criadas as condições para a realização do registo?

Isaías Samakuva: Não foi a CN que convocou ou que anunciou o início do registro eleitoral. Foi o Governo. E é isto que nós criticamos. Há uma clara interferência [do Governo]. De acordo com a nossa perspectiva, actos dessa natureza, que violam as leis e normas estabelecidas, devem ser evitados. Do contrário, vamos considerá-los atos fraudulentos.

DW África: Em relação à crise económica que o país enfrenta, que mensagem transmitiu nos encontros com as instituições alemãs em Berlim?

Isaías Samakuva: Dissemos aos nossos interlocutores que o país atravessa uma situação económica difícil, mas não é apenas por causa da baixa do petróleo ou do preço do petróleo. Também achamos que precisamos de mudar as nossas políticas económicas para que, de facto, o país evite crises como aquela que está a acontecer agora.

DW África: Visitou o Instituto para Doenças Tropicais em Berlim. A UNITA trouxe a Berlim suas preocupações com a epidemia de febre-amarela que desde o ano passado pode ser observada em Angola?

Isaías Samakuva: Os especialistas que falaram connosco e que também acompanham a situação em Angola, elogiaram o trabalho que os médicos em Angola têm estado a fazer. Do outro lado, há uma preocupação em relação àquilo que o próprio Governo deve fazer no sentido da educação sanitária junto das populações. E que, na minha maneira de ver, não tem sido o suficiente.

DW África: O tema dos direitos humanos também esteve na agenda em Berlim?

Isaías Samakuva: O que nós procuramos fazer é transmitir aos nossos interlocutores as nossas preocupações para que, nos contactos que eles têm com as entidades governamentais, utilizem das boas relações e dos espaços privilegiados que têm, para também transmitir a sua preocupação sobre estas violações.

DW África: Com quais expectativas retorna a Angola?

Isaías Samakuva: Volto para Angola com uma perspectiva bastante positiva . Estamos a encontrar aqui [na Alemanha] um ambiente bastante aberto, de muito interesse em escutar o que se passa em Angola, e esperamos que o Governo tome essas situações à peito e possa aproveitar as oportunidades que se ofereçam ao povo angolano. (DW)

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