Petrolíferas interessadas no regresso aos dólares

Pedro Godinho, C|amara de Comércio Angola-EUA. (Foto: Angop)

O presidente da Câmara de Comércio Estados Unidos-Angola (USACC), Pedro Godinho, pediu sexta-feira ao Banco Nacional de Angola (BNA) que autorize as empresas de prestação de serviços à indústria petrolífera a receberem dólares.

A falar no “First Friday Club”, uma reunião mensal entre representantes institucionais e empresariais organizada pela USACC, Pedro Godinho considerou que as empresas de prestação de serviços devem voltar a ser pagas em moeda externa para evitar as perdas e até falências provocadas pela desvalorização do kwanza, como está a acontecer.
“Com a baixa do preço do petróleo e a falta de divisas, as empresas estão a fechar devido ao grau de dificuldades que existe, sobretudo aquelas empresas que não conseguem transaccionar no mercado internacional e vêm os seus recursos financeiros na banca nacional a desvalorizarem-se todos os dias”, explicou.
Pedro Godinho considerou que os montantes que o Banco Nacional de Angola (BNA) vende aos bancos comerciais são insuficientes e têm pouco impacto na economia, já que a indústria petrolífera é de capital intensivo e as suas operações movimentam centenas de milhões de dólares.
Na reunião, que discutiu os “desafios e oportunidades da prestação de serviços à indústria petrolífera angolana”, representantes de companhias que operam no país concordaram em que a opção estratégica para a conjuntura reside na formação de parcerias.  O director-geral da empresa SBM, Jean Rodrigues, defendeu “conexões” entre as empresas petrolíferas para “fazer funcionar o negócio”, o que inclui a transferência de conhecimento para as pequenas e médias empresas caminharem “pelos seus próprios pés”.
Jean Rodrigues afirmou que, com a falta de divisas, os estaleiros da SBM reduziram a força de trabalho, devido à crítica relação entre os custos de produção em Angola e o preço do petróleo.  A companhia reduziu a mão-de-obra de 1.200 trabalhadores em 2015 para 250. “A primeira reacção à crise foi a de reduzir as despesas ao máximo. Passada esta fase, se a crise continuar por muito mais tempo, a única forma vai ser a de ‘congelar’ o estaleiro”, informou.
O representante da empresa norte-americana Halliburton, Bert Streetnan, considerou a crise no mercado petrolífero angolano como “um risco e uma oportunidade para tirar proveitos”, porque a história demonstra que elas são cíclicas. O director-geral da Operatic, Alberto Figueiredo, disse que volume de negócios da companhia baixou para 40 por cento, mas a empresa decidiu procurar outras oportunidades e investe em pequenos projectos que dão suporte financeiro.

“A empresa deve ter a capacidade de se adaptar na adversidade e interagir com outras nacionais e internacionais”, sublinhou.
O encontro serviu para os representantes das empresas partilharem  os problemas e encontrarem soluções. Com 25 anos de existência, a Câmara de Comércio Estados Unidos-Angola é uma organização que promove trocas comerciais e investimento entre os dos Estados Unidos em Angola. (jornaldeangola)

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