Para Sarkozy, “projeto político islâmico” é ameaça à França

Nicolas Sarkozy, ex-presidente francês e candidato às primárias do partido Republicanos, durante entrevista ao canal TF1 nesta quarta-feira, 24 de agosto de 2016. (Reprodução)

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, candidato às primárias do partido de direita “Os Republicanos”, falou nesta quarta-feira (24) ao canal de TV francês TF1 sobre a reforma do modelo social do país e de um “novo acordo Schengen” para a Europa. Ele também abordou o que chama de “projecto político islâmico”, considerado por ele uma ameaça ao país.

Nicolas Sarkozy governou a França entre 2007 e 2012, tendo perdido a reeleição para François Hollande, do Partido Socialista (PS). Pré-candidato às presidenciais francesas de 2017 e presidente do maior partido de direita do país, Sarkozy concedeu entrevista ao canal TF1 na noite desta quarta-feira (24), quando respondeu a perguntas sobre sua candidatura e pontos de seu programa de governo.

Imigração e burkini

Questionado sobre a polémica recente sobre a proibição do burkini na França, o traje de banho islâmico, Nicolas Sarkozy afirmou que não abre mão do “princípio francês” de “igualdade estrita e total entre os géneros”.

Defensor da proibição, o pré-candidato às primárias do partido conservador incentivou a proibição de “qualquer símbolo religioso” nas universidades e locais públicos franceses. “Se permitimos o burkini, daqui a 10 anos teremos jovens garotas [de credo muçulmano] que não poderão mais usar tranquilamente um biquíni na praia”, declarou.

“Assistimos a um projecto político islâmico, de radicalização”, atacou o ex-presidente francês. “A África terá mais de 1,3 biliões de habitantes em breve. A França fica a apenas 12 km do continente africano, passando pelo estreito de Gibraltar. Nosso sistema de integração explodiu, não podemos receber mais ninguém, pessoas que chegam atraídas pela possibilidade de conseguir ajudas sociais na Europa”, afirmou Sarkozy.

“Vejamos o exemplo da senhora Merkel, que decidiu que os imigrantes sírios na Alemanha não terão mais direito à ajuda social familiar de seu governo. Por que não podemos fazer o mesmo?”, retorquiu Nicolas Sarkozy, que defendeu ainda um “novo acordo Schengen” para os países da União Europeia.

Menos ajudas sociais para a França

Entre outras propostas polémicas, Nicolas Sarkozy defendeu a diminuição progressiva do modelo social francês, especialmente no que diz respeito ao seguro-desemprego. “Aqui não é os Estados Unidos, onde as pessoas que perdem seu trabalho vão morar dentro de um trailer”, provocou.

“Num país com seis milhões de desempregados, não posso ser irresponsável, a maioria destas pessoas não é culpada pelo desemprego”, afirmou, completando que se inspira no modelo sueco para propor uma diminuição progressiva das ajudas sociais do modelo francês, verdadeira instituição no país.

Sarkozy não perdeu também a oportunidade de ironizar o projecto de seu principal opositor, o prefeito da cidade de Bordeaux, Alain Juppé. O programa do rival do ex-presidente nas primárias de seu partido se chama “Identidade Feliz”. “Como posso falar em identidade feliz para os seis milhões de desempregados franceses que assistem uma situação emprego pleno no Reino Unido e na Alemanha?”, disparou. (RFI)

por Márcia Bechara

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