O Zika chega a Miami Beach

Fumigação em Miami Beach, Flórida, para controlar os mosquitos. (CRISTOBAL HERRERA EFE)

Governador da Florida confirma cinco casos de transmissão local no coração turístico de Miam.

O zika vírus chegou a Miami Beach, coração do turismo da metrópole da Florida. Segundo confirmação do Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) e do governador da Flórida, Rick Scott, as autoridades sanitárias identificaram na popular área de praia de Miami cinco casos de infecção local do vírus que pode provocar malformações em fetos como a microcefalia. A notícia é um novo golpe para a turística Miami, que com essa já tem duas regiões com focos de transmissão local do zika, pela picada de um mosquito.

“O Departamento de Saúde soube que cinco indivíduos que já haviam sido confirmados como casos de transmissão local do zika estão ligados à região de Miami Beach”, disse Scott em entrevista colectiva em Miami. “Isso significa que acreditamos existir uma nova área onde estão ocorrendo transmissões locais, em Miami Beach”, acrescentou. A região sob suspeita se estende por uma área de 3,8 quilómetros quadrados entre as ruas 8 e 28, no distrito turístico Art Deco de South Beach.

Além disso, as autoridades não descartam que o vírus continue se expandindo. Tendo em vista o período de incubação do vírus – até duas semanas – e de que existem contaminados que não apresentam sintomas, “é possível que outros moradores do condado de Miami Dade tenham uma transmissão activa do vírus que ainda não é evidente”, alertou o CDC em um comunicado.

Por conta da situação, o CDC já recomenda às mulheres grávidas e que pretendem engravidar que evitem essa região delimitada de Miami Beach, às grávidas residentes que se protejam o máximo possível com roupas longas e o uso de repelente, entre outros.

Dos casos locais – infectados através da picada de um mosquito – registados em Miami Beach, três são turistas: um morador de Nova York, outro do Texas e um terceiro de Taiwan.

Com esses novos casos, o número de transmissões locais do vírus confirmadas em Miami chega a 36. Tanto a região do novo foco como a do primeiro detectado, no também turístico bairro de Wynwood, estão sendo submetidas a fortes fumigações, entre outras medidas de prevenção da expansão do vírus.

Mas essa nova área de transmissão local pode ser mais complicada para o combate ao mosquito, alertou o director do CDC, Tom Frieden. “Miami Beach tem várias características que fazem dessa região um local especialmente desafiador” para a luta contra o mosquito transmissor, o Aedes Aegypti, disse Frieden em tele-conferência com jornalistas. Entre as razões, citou o fato de que é uma área densamente povoada e com muitos visitantes que além disso costumam andar com “pouca roupa” por ser área de praia, o que faz com que tenham mais “pele exposta” a picadas. Além disso, por conta das características arquitectónicas e do vento presente por ser área de praia, é impossível realizar fumigações aéreas como é feito em Wynwood, de modo que só é possível realizar a fumigação de forma manual percorrendo a região.

A grande maioria dos casos confirmados de zika nos Estados Unidos continental é importada – contraídos em outro país – e, em alguns casos, por transmissão sexual, mesmo que as autoridades tenham alertado reiteradamente de que era só questão de tempo até que se começasse a registar alguns casos locais em áreas onde o Aedes Aegypti é abundante. (El Pais)

por Silvia Ayuso

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