O declínio de quem ajudou a levar os Jogos para o Rio

Lula, Cabral e Dilma em 2009: em sete anos, políticos viram sua carreira dar uma guinada (ABR)

Escolha da cidade foi saudada como triunfo político em 2009. Sete anos depois, personagens como Lula, Dilma, Cabral, e Havelange vivem momento oposto, e devem ficar longe das Olimpíadas.

Em outubro de 2009, a escolha do Rio de Janeiro como cidade-sede dos Jogos Olímpicos foi saudada como triunfo político. Sete anos depois, personagens como Lula, Dilma Rousseff, Sérgio Cabral e João Havelange vivem, por diferentes motivos, uma derrocada de suas carreiras políticas e devem ficar longe do evento.

Lula: presidente em 2009, hoje réu e investigado pela Lava Jato

Nos últimos sete anos, o presidente Lula foi do céu ao inferno. Em 2009, quando o Rio foi escolhido, contava com 81% de aprovação. Lula se empenhou pessoalmente na escolha da cidade e chorou após o anúncio. “Confesso a vocês que, se eu morrer agora, minha vida terá valido a pena”, disse após a reunião do COI, em Copenhague. A multidão que acompanhava a escolha em um telão em Copacabana gritou repetidamente o nome do presidente após o anúncio. No ano seguinte, embalado pelo bom desempenho econômico, elegeu Dilma como sucessora.

No final de 2014, seu nome começou a aparecer no escândalo de corrupção na Petrobras. Entre 2015 e 2016, sua imagem sofreu ainda mais desgaste com a revelação de ligações suspeitas com empreiteiras. Em meio à torrente de denúncias, foi convidado a assumir um posto no governo Dilma em uma manobra denunciada pela oposição como uma tentativa de evitar a prisão. Também se empenhou para barrar o processo de impeachment na Câmara, mas não foi bem-sucedido. Na semana passada, se tornou réu em um processo por obstrução da Justiça. O ex-presidente não pretende comparecer à cerimônia de abertura dos Jogos.

Dilma Rousseff: ministra em 2009, hoje luta contra impeachment

Em 2009, Dilma não desempenhou papel de destaque na escolha do Rio, mas já havia sido escolhida por Lula como candidata para a sucessão. Pelos planos, caberia a ela concretizar as Olimpíadas. Nos meses seguintes, ainda como ministra, Dilma chegou a prometer que Rio e São Paulo seriam ligados por um trem-bala até os Jogos. O projeto nunca saiu do papel. Em 2011, já como presidente, Dilma turbinou as verbas do Ministério do Esporte.

O início do seu governo manteve a estabilidade do antecessor. Os primeiros percalços ocorreram em junho de 2013, quando se tornou um dos principais alvos dos protestos que tomaram o Brasil. Ainda assim, conseguiu se reeleger em 2014 por uma margem apertada. Em 2015, com a revelação dos escândalos na Petrobras, sofreu novo declínio, se tornando a presidente mais impopular da história recente do país.

Manobras mal-sucedidas para estabilizar as crises política e econômica que passaram a assolar o Brasil a partir de 2015 erodiram seu poder. Em maio de 2016, foi afastada temporariamente da Presidência. Seu processo de impeachment deve ser concluído logo após o fim dos Jogos. O governo interino a convidou para a cerimônia de abertura, mas Dilma recusou. “Eu não pretendo participar das Olimpíadas em uma posição secundária”, afirmou.

Sérgio Cabral: governador do Rio em 2009, hoje sem mandato

Em 2009, Cabral foi um dos principais “corretores” responsáveis por vender a candidatura do Rio mundo afora. A escolha rendeu dividendos políticos em um momento em que o Rio passava por um boom econômico. Cabral foi reeleito em 2014 com 66% dos votos e passou a incentivar grandes obras. Só que sua imagem começou a ser abalada por episódios como a “dança do guardanapo” que ocorreu em Paris em 2012, o uso de helicópteros do Estado em benefício próprio e a revelação de sua ligação com empreiteiros suspeitos de corrupção. Nos protestos de junho de 2013, Cabral foi alvo dos manifestantes, que chegaram a montar um acampamento em frente à sua casa, o “Ocupa Cabral”.

Em 2014, deixou o cargo como um dos governadores mais impopulares do país. Anunciou uma candidatura ao Senado, mas desistiu de concorrer. Ainda conseguiu emplacar a reeleição de um sucessor, mas o novo governo passou a enfrentar uma situação caótica nas finanças. Continua a atuar politicamente nos bastidores, mas se mantém longe dos holofotes. Vem sendo citado com regularidade nas investigações da Lava Jato.

João Havelange – patrono da campanha em 2009, envolvido em escândalos da Fifa

Havelange foi um dos principais cabos eleitorais da candidatura do Rio e o primeiro a discursar na reunião que definiu a escolha. “Queria convidar a todos a uma Olimpíada em minha cidade no ano de meu centésimo aniversário”, disse Havelange, que foi creditado por abrir as portas do COI aos políticos brasileiros empenhados na candidatura.

Sete anos depois, o ex-presidente da Fifa, um dos principais responsáveis por transformar o futebol moderno em um negócio bilionário, está afastado dos holofotes desde que a entidade foi abalada por escândalos. Em abril de 2013, aos 96 anos de idade, renunciou à presidência de honra da Fifa para escapar de uma punição. Dois anos antes, já havia renunciado à sua posição no COI.

Orlando Silva: ministro do Esporte em 2009, hoje deputado federal

Em 2009, Silva foi um dos membros da delegação que acompanhou a escolha do Rio em Copenhague. À época, disse: “O nosso esforço agora estará concentrado em fazer da competição do Rio os melhores Jogos já realizados no mundo.” Viu os recursos da pasta serem turbinados com o objetivo de preparar o país. Em outubro de 2011, deixou a pasta após ser acusado de participar de um esquema de desvio de verbas do Segundo Tempo, um programa federal que promovia o esporte em comunidades carentes. Em 2012, tentou se eleger vereador em São Paulo, mas foi derrotado. Em 2014, conseguiu uma vaga na Câmara Federal graças ao quociente eleitoral. Desde então, vem se empenhando para barrar o impeachment de Dilma e a instalação de uma CPI da UNE, entidade que presidiu nos anos 90. Desde que o Rio foi escolhido, cinco nomes passaram pela pasta do Esporte. (DW)

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