Incêndios: Costa recusa “número mágico” sobre apoios à Madeira sem avaliação dos danos

(HOMEM DE GOUVEIA/LUSA)

O primeiro-ministro afirmou que “não era exigível nem compreensível” que o Governo chegasse à Madeira “com um número mágico” sobre os apoios à região depois dos incêndios.

O primeiro-ministro afirmou esta quinta-feira que “não era exigível nem compreensível” que o Governo chegasse à Madeira “com um número mágico” sobre os apoios à região depois dos incêndios, sem que a avaliação dos danos esteja feita.

António Costa falava aos jornalistas no final de uma visita de quase seis horas à Madeira e, quando questionado sobre os valores em concreto que o Governo da República vai disponibilizar para o apoio à região, o primeiro-ministro foi perentório: “não era exigível nem compreensível que viéssemos aqui dar um número mágico, para o ar, sem que a avaliação tivesse sido feita”.

“O trabalho está a ser programado, as coisas têm que ser feitas como devem ser feitas, que é avaliando os danos”, justificou, explicando na terça-feira está já marcada uma reunião com representantes dos governos da República e Regional e que nos próximos 15 dias ficará concluído o levantamento dos danos.

No quartel dos Bombeiros Voluntários locais, onde terminou a sua visita à Madeira com um agradecimento a estes profissionais, o primeiro-ministro sintetizou as medidas principais que já tinham sido anunciadas após a reunião entre todas as autoridades.

“Nós iremos ter uma linha de crédito lançada já na próxima semana para o apoio às atividades turísticas, vamos ter uma linha de crédito para o conjunto de empresas que sofreram danos com estes incidentes, vamos apoiar financeiramente o programa que o Governo Regional aprovou de apoio temporário às famílias carenciadas, vamos apoiar financeiramente em particular o município do Funchal, que é aquele onde para já há habitações destruídas, na reabilitação e na reconstrução de acordo com os programas municipais”, enumerou.

Na opinião de António Costa, “não é exigível, a quem passou aquilo que passou nos últimos dias, que houvesse uma conta feita”, devendo o trabalho de avaliação dos prejuízos ser feito como está a ser, “com cabeça, tronco e membros”.

“Quando? Quando o senhor presidente da câmara tiver a avaliação feita, tiver o número apurado, nós saberemos. Quando o senhor presidente do Governo Regional tiver os danos apurados e tiver o número apurado, nós cá estaremos”, respondeu, perante a insistência dos jornalistas.

Na conferência de imprensa, o chefe do executivo tinha sublinhado que “ao longo dos últimos dias, as instituições da República, da região e dos municípios deram um bom exemplo de excelente articulação e funcionamento”.

“Desde logo entre os órgãos de soberania, com acerto pleno entre o senhor Presidente da República e o Governo de qual era a natureza e a função de cada um no testemunho do apoio à Madeira”, concretizou.

Para Costa, Marcelo Rebelo de Sousa trouxe à ilha uma mensagem de “solidariedade, de apoio, de carinho, de afeto às populações”, enquanto “o Governo está cá hoje, conforme foi combinado com o senhor Presidente da República, para fazer a parte que lhe compete enquanto órgão executivo”.

Na quarta-feira, o chefe de Estado tinha visitado a Madeira e afirmou que a missão do primeiro-ministro sobre os incêndios na Madeira “não é só de solidariedade, é executiva” e por isso António Costa iria estar na ilha hoje para falar sobre apoios.

Para além de visitar os locais mais afetados pelos incêndios dos últimos dias, António Costa manteve uma reunião com os principais responsáveis da região e concluiu esta jornada de trabalho de seis horas com uma passagem pelo regime de guarnição número três onde estão os desalojados, pelos quartéis de duas corporações de bombeiros e ainda um hotel na zona histórica, que teve que ser evacuado na noite de terça-feira, mas que já está em pleno funcionamento. (OBSERVADOR)

por Lusa

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA