Geração Y: Entre o virtual e o real (reflexões)

Janísio C. Salomão (Janísio C. Salomão)

Vivemos dias em que o mundo real parece estar a desvanecer dando lugar ao virtual, cada vez mais nos dissociamos da sua essência.

Tornamo-nos escravos do mundo virtual, até parecemos zombies, caminhamos, falamos e comemos a teclar com amigos, enfim não conseguimos viver 24 horas por dia, sem aceder ao facebook, whatsap, instagram ou snapchat. Estaremos a nos tornar dependentes das redes sociais? Estará a sociedade actual necessitar de uma desintoxicação?.

Se os dependentes químicos necessitam de um tratamento intensivo, creio que os dependentes das redes sociais também o necessitam.

Acordamos, esquecemos – nos muitas das vezes de saudar os que nos rodeiam, aqueles com os quais partilhamos o mesmo teto. Valores como carinho, afecto e até convivência parecem estar cada vez mais distantes nos dias de hoje, podemos chamar a isto modernidade? Desapegamos-mos de quem está ao nosso lado e apegamo-nos mais ao nosso amigo(a) das redes sociais, prestamos mais atenção aos nossos amigos das redes sociais, do que os presentes. Vivemos juntos e quase não falamos, saímos juntos, mais cada vez mais distantes, o presente tornou –se ausente, e o ausente tornou -se presente, eclodindo um novo modo de vida.

Dormimos e acordamos a teclar, selfie atrás de selfies, publicação atrás de publicações, o consciente dá lugar a um subconsciente virtual, em que a imaginação é remetida a uma sequência monótona diária.
A preocupação consiste em ver quem colocou o gosto (like) na minha foto nova do perfil, quem comentou a minha nova publicação, quais são as notícias frescas (fresh news) de momento, enfim; Assim caminhamos, o tempo passa, nos esquecemos que o mundo segue o seu curso normal e as vezes vivemos fechados entre quatro paredes e um dispositivo desta geração Y;

As oportunidades passam e insistimos em viver uma vida que na maioria das vezes não é nossa, o carro, o vestido, o ténis, o chapéu utilizados na selfie, as vezes nem sequer te pertence. Passamos a acreditar mais no que vimos e ouvimos nas redes sociais.

Compras um sapato novo corres para exibir no facebook, viajas todo o mundo tem que saber, andas ou compras um novo carro, já lá estás tu a publicar “minha nova máquina”, és promovido no emprego todo o mundo tem que saber, o oculto tornou-se relevado. Aonde anda a nossa privacidade? Até momentos íntimos são publicados nas redes sociais. O imoral deu lugar ao moral, o privado tornou-se público. Parecemos até celebridades, mais sem paparazzis!

O irreal da corpo ao real. Nos tornamos consumidores e  consumistas desde mundo virtual, enquanto uns enriquecem a nossa custa.

Valoriza quem está ao teu arredor, faça mais um uso racional das redes sociais, não esqueça que o mundo lá fora espera por ti, faz a tua parte.
Lembra-te que o mundo real é verdadeiro, usa o virtual mais não esqueça do real.

por Janísio C. Salomão

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