Futuro do ANC em jogo nas eleições locais da África do Sul

Eleitora a votar na manhã desta quarta-feira (03.08), em Pretória (AP)

Urnas abertas na África do Sul. Municipais desta quarta-feira (03.08) podem ser determinantes para partido do Presidente Zuma, que poderá ter perdas significativas em cidades onde governa há mais de duas décadas.

São eleições locais com repercussões nacionais. Analistas dizem que é a própria reputação do Presidente Jacob Zuma que está em jogo, num país que tem sido palco de vários escândalos e onde a taxa de desemprego continua a ser muito alta.

Esta quarta-feira (03.08), o partido no poder, o Congresso Nacional Africano (ANC), arrisca-se a perder a maioria em cidades como Joanesburgo e Pretória, segundo sondagens pré-eleitorais.

“Estas são eleições cruciais para o ANC. O partido tem sido abalado por uma série de escândalos, muitos associados à liderança de Jacob Zuma. Zuma é uma figura controversa na política sul-africana, e mesmo no próprio partido enfrenta alguma oposição,” avalia o analista político Daniel Silke.

No início do ano, Zuma foi condenado a devolver parte dos fundos públicos gastos na renovação da sua casa privada, em Nkandla, na província de KwaZulu-Natal.

A renovação incluiu a construção de uma piscina e um anfiteatro, que a Presidência justificou serem necessários para a segurança do chefe de Estado. Em Dezembro, Zuma demitiu dois ministros das Finanças no espaço de uma semana, e foi acusado de “estar a jogar à roleta russa” com a economia.

O país cresce menos do que antes e a taxa de desemprego aumentou para 27%. A oposição acusa o ANC de estagnar o país.

“O ANC está bastante vulnerável. Estas são as eleições mais competitivas de sempre,” considera Silke.

A corrida pelo poder

São sobretudo dois partidos que ameaçam o ANC: o principal partido da oposição, a Aliança Democrática, e os Combatentes da Liberdade Económica, liderados por Julius Malema, que foram fundados há três anos e já são o terceiro maior partido no Parlamento.

Mas o politólogo Aubrey Matshiqui lembra que, até agora, as análises baseiam-se apenas em sondagens – e que é preciso esperar até que todos os votos sejam contados.

“Se o ANC tiver 60% nos resultados finais, isso poderá indicar uma queda para baixo dos 60% nas eleições gerais de 2019. Isso mostra quantas eleições são precisas para que o ANC saia do poder,” analisa Matshiqui.

O politólogo não acha que estas eleições tragam grandes mudanças para as políticas do partido de Jacob Zuma.

“Não acredito que o escrutínio traga um realinhamento político ou uma mudança dramática no apoio ao ANC,” conclui. (DW)

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