Filhos do embaixador assumem agressões a jovem de Ponte de Sor

Filhos do embaixador do Iraque (SIC)

Haider e Ridha, gémeos, filhos do embaixador iraquiano em Lisboa reconhecem ter agredido Rúben Cavaco, de 15 anos, que continua em estado crítico. Pedem desculpa e dizem-se prontos a responder perante a justiça.

Pela primeira vez, os filhos do embaixador iraquiano em Lisboa confirmam ter agredido o jovem Rúben Alexandre. O acto é assumido por Ridha, estudante de Gestão, que estava em Ponte de Sor, com o irmão Haider, que frequenta a escola de aeronáutica local, da qual deverá ser expulso.

Corri atrás dele e comecei a agredi-lo. Dei-lhe murros e, quando de por isso, o meu irmão também tinha vindo e estava a ajudar-me”, contou em entrevista à estação de televisão SIC.

Um minuto depois ele estava no chão. Dei-lhe pontapés”, acrescentou Ridha Ali, contando que aí, o próprio irmão o terá feito parar.

Nada acrescentaram, contudo, se terão então, nessa altura da madrugada da passada quarta-feira, resolvido prestar ajuda ao rapaz de 15 anos, que continua internado em estado crítico no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Rúben Alexandre Cavaco ficou desfigurado, foi já submetido a operações de reconstrução facial e esteve seis dias em coma induzido. Só esta terça-feira saiu dos cuidados intensivos da unidade hospitalar.
Prontos a responder perante a Justiça

Contando a sua versão dos acontecimentos ocorridos na passada quarta-feira, que começaram no bar Koppus, na cidade de Ponte de Sor, no distrito de Portalegre, os gémeos filhos em embaixador iraquiano dizem-se prontos a responder perante a justiça.

Consideram haver atenuantes para o que se passou, reconhecem que tinham ingerido bebidas alcoólicas, mas garantem estar prontos a colaborar com a Justiça. Como o fizeram no dia seguinte, após terem esperado quatro a cinco horas no posto da GNR da cidade, aguardando a chegada de inspetores de Lisboa.

Estou preparado para assumir a total responsabilidade pelos meus atos. Não me estou a esconder sob a proteção da imunidade diplomática”, assumiu Haider, um dos gémeos.

Estou completamente preparado para enfrentar as consequências”, acrescentou, admitindo que, caso a imunidade diplomática que os protege, por serem filhos de um embaixador venha a ser levantada, o quie só pode acontecer por decisão do governo iraquiano.

Trata-se de um processo que terá de ser desencadeado pela investigação judicial portuguesa e que o Ministério dos Negócios Estrangeiros já admitiu poder então encaminhar para Bagdade, conforme declarações do ministro Santos Silva, segunda-feira à TVI.
Pais destroçados

Na entrevista à SIC, transmitida esta terça-feira na íntegra, segundo a estação de televisão, os dois jovens confessam que as agressões e espancamentos registados na noite de quarta-feira em Ponte de Sor deixaram marcas em muita gente.

O meu pai está destroçado, a minha mãe está muito mal”, contou Haider, que endereçou também um pedido de desculpas ao jovem português Rúben Cavaco e à sua família.

Diretamente para o Rúben e para a família dele, as minhas mais sinceras e sentidas desculpas por este incidente”, acrescenta o jovem filho do embaixador.

Apesar do pedido de desculpas, os filhos do embaixador iraquiano em Lisboa afirmam que Rúben, o qual, dizem conhecer mal, terá sido influenciado por outros jovens que o acompanhavam no bar.

É um grupo de adolescentes que já tinham provocado problemas em Ponte de Sor, que perseguiram e agrediram vários estudantes da minha academia”, sustentou Haider.

Uma noite entornada

Nem Haider, nem o irmão Ridha, nem o pai, o embaixador Saad Mohammed Ridha apresentaram qualquer queixa junto do Ministério Público, como a TVI24 apurou de fonte oficial esta terça-feira.

A hipótese fora aventada num comunicado escrito apenas em língua árabe e sem tradução oficial, publicado na página da internet do Ministério iraquiano dos Assuntos Exteriores, onde se afirmava que os filhos do embaixador teriam sido agredidos, algo que os próprios confirmam, na sua versão dos acontecimentos.

Tudo começou no interior do bar Koppus. Os dois irmãos, segundo os mesmos, estariam com amigos e colegas de Haider da escola de aeronáutica. Este, em jeito de brincadeira, resolveu mostrar uma tatuagem que terá numa coxa.

Acho que as pessoas que estavam na mesa de trás ficaram, muito ofendidas por eu ter despido uma das pernas das calças e começaram a agir de forma muito agressiva”, contou Haider.

Segundo os gémeos, Rúben Cavaco estava nessa mesa, com cinco outros “rapazes, todos adolescentes. Terão sido insultados e sairam do bar. Na rua, foram ameaçados e tentaram ir para dentro do seu carro. Haider, o aprendiz de piloto, conseguiu, mas Ridha não terá conseguido entrar.

O grupo aproximou-se junto ao vidro e um deles queria atacar espcialmente o meu irmão. Eu estava a tentar acalmá-lo, a pôr as mãos para ele não avançar”, conta Ridha.

Quando dei por mim, estava a ser atacado por cinco ou seis pessoas”, acrescentou o filho do embaixador, segundo o qual, terá então depois conseguido sair da zona. Por dois minutos.

Local do crime

A GNR terá então chegado ao local. Os gémeos iraquianos de 17 anos, nascidos nos Estados Unidos e há cerca de um ano a residri em Portugal, garantem que tinham já que contar.

Ele fraturou o nariz e eu tinha o pé fraturado”, contou Ridha, acrescentando que o irmão tinha “também lesões na cara”.

Terão sido então levados a casa pela Guarda, com a indicação de deverem apresentar queixa na manhã seguinte. Mas voltaram mais cedo à zona do bar, segundo os mesmos, para recuperar alguns bens que teriam perdido. Aí cruzaram-se com Rúben Cavaco e garantem na entrevista à SIC, que não o atropelaram.

Ele viu-nos e começou a dizer alguma coisa em Português que não entendi”, contou Ridha.

Falou num tom agressivo como se estivesse a querer começar uma briga”, acrescenta o filho do embaixador, que assume ter então saído do carro e dirigido a Rúben Cavaco, com as consequências conhecidas.

Os dois rapazes iraquianos consideram que todos foram “vítimas de circunstâncias”, numa noite em que não escondem ter bebido álcool. Sobretudo, Ridha, já que o irmão Haider soprou no balão, quando esteve com a GNR. Acusou 0,58 miligramas por litro de sangue e aí, segundo o próprio, já não terá conduzido. Apesar de ter voltado à zona do bar, de carro, depois das primeiras ocorrências. (TVI24)

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