Família de rapaz morto em demolições pede ajuda

(DW)

ONG denunciou que o rapaz de 14 anos foi morto a tiro supostamente por um militar durante demolições polémicas nas zonas do Zango II e III, nos arredores de Luanda. A família não tem dinheiro para o funeral.

A comunidade foi surpreendida no sábado à tarde (06.08) pelas máquinas de demolição em seu redor, segundo a organização não-governamental SOS Habitat. As autoridades “que estavam a proteger as máquinas” terão, então, disparado para dispersar a população, atingido mortalmente o rapaz de 14 anos.

Depois, “as forças de segurança pegaram no corpo e levaram-no para lugar incerto”, diz o coordenador da SOS Habitat, Rafael Morais, em entrevista à DW África. “Os familiares só conseguiram localizar o corpo no domingo. […] Entregámos o caso ao advogado da organização ‘Mãos Livres’ para avançar para a Justiça.”

Família pede ajuda financeira

Rui Domingos, tio da vítima, mostra-se consternado com a morte do sobrinho: “Chamava-se Rufino Fernando António. Era uma criança alegre, obediente. Era difícil fazer confusão no bairro”.

Os familiares mais próximos estão abalados, incapazes de falar com a comunicação social, afirma. “Estamos a pedir ajuda. O pai é desempregado. A mãe também não trabalha. Não sabemos como enterrar o corpo”, diz Domingos ao telefone.

A família aguarda pela autópsia, a realizar nesta quarta-feira e por apoios das autoridades e de populares, de que necessitam urgentemente: “Estamos aqui a apelar à sociedade no sentido de dar alguma contribuição para se poder fazer o funeral”.

O coordenador da SOS Habitat, Rafael Morais, refere que as autoridades angolanas ainda não confirmaram oficialmente a ocorrência. Mas, segundo o activista, não há dúvidas sobre a autoria do disparo fatal, atribuído a um agente do Posto de Comando Unificado (PCU).

“Está confirmado, porque a população foi testemunha”, afirma Morais.

“Entretanto, o comando já terá garantido que vai assumir o óbito e já comunicou aos familiares o local onde poderão ir buscar apoio.”

De acordo com Morais, até agora mais de 620 residências foram demolidas no Zango III e mais de 2.500 famílias foram afetadas no Zango II. (DW)

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