EUA: Recorde as vezes em que Trump disse que não disse o que disse

(AFP)

Desde que se lançou à disputa pela Casa Branca em Junho de 2015, o candidato republicano Donald Trump várias vezes voltou atrás em comentários que fez e que o deixaram embaraçado.

Veja nove exemplos onde o candidato republicano à Casa Branca se distanciou de suas próprias declarações.

1. John McCain

Donald Trump declarou em Julho de 2015 que John McCain “não era um herói de guerra. Só virou herói de guerra porque foi capturado”. Consternação imediata entre os republicanos. No dia seguinte, ele, que ainda era apenas candidato, às primárias tenta corrigir o deslize: “eu disse quatro vezes que ele era um herói. Mas vocês sabem, as pessoas seleccionam apenas pequenos trechos”.

2. Megyn Kelly

Bombardeado pelas perguntas da jornalista da Fox Megyn Kelly durante um primeiro debate eleitoral pelas primárias republicanas em Agosto de 2015, Donald Trump declarou no dia seguinte: “Era possível ver o sangue escorrer de seus olhos… o sangue escorrer de sua… ou o que seja”. Indagado sobre se ele se referiu à menstruação da jornalista, reagiu afirmando: “Eu não acabei minha frase, eu ia dizer nariz e/ou orelha, porque é muito comum o sangue escorrer do nariz”, disse no dia seguinte.

3. Violência

“Se você vir alguém a tentar atirar-lhe um tomate, dê-lhe uma surra, ok?”, afirmou Donald Trump em Fevereiro, aos seus militantes. “Eu prometo pagar a conta dos advogados”.

No mês seguinte, após um de seus partidários agredir um manifestante, Donald Trump disse: “Eu não tolero a violência, e eu não disse que iria pagar advogados”.

4. Nuclear

O Japão e a Coreia do Sul deveriam se dotar de armas nucleares para se defenderem da Coreia do Norte? “Eu preferia que o Japão tivesse (armas nucleares) já que a Coreia do Norte tem. Seria muito melhor se este fosse o caso”, respondeu Donald Trump ao New York Times em Março. Mas, criticado por Hillary Clinton, disse em Maio: “ela disse ontem à noite que Donald Trump queria que o Japão tivesse armas nucleares. Eu nunca disse isso.”.

5. Cruz e Oswald

“Seu pai estava com Lee Harvey Oswald antes dele ser morto”, disse Donald Trump do pai de seu rival nas primárias Ted Cruz, em 3 de maio, citando um artigo no tablóide National Enquirer. Oswald foi o homem acusado de matar o presidente Kennedy em 1963.

A alegação criou uma tempestade mediática. Desta vez, Donald Trump não negou ter feito as declarações, mas rejeitou qualquer responsabilidade, dizendo que só repetiu o que circulava na imprensa.

“Eu só fiz uma pergunta sobre artigos publicados em todos os lugares, não apenas no National Enquirer, sobre o fato de haver uma foto dele com Lee Harvey Oswald. Eles não negaram essa foto.”

6. Jornalista deficiente

Donald Trump criticou em Novembro de 2015 uma declaração de um jornalista, Serge Kovaleski, que sofre de uma condição congénita que restringe os movimentos de um braço. O candidato agitou seus braços, balançando a cabeça, como tentando imitá-lo.

“Eu nunca iria gozar de um deficiente”, disse Donald Trump no Twitter em Junho passado, depois que uma campanha publicitária de Hillary Clinton retomou o vídeo.

7. Vladimir Putin

“Eu o conheço muito bem porque nós dois fomos convidados ao programa 60 Minutes”, disse Donald Trump em Novembro de 2015 durante um debate. A amabilidade do republicano em relação ao presidente russo, Vladimir Putin, surpreendeu a todos. Em Junho ele corrigiu o tiro: “eu não tenho nenhum tipo de relação com ele”.

8. Hackers russos

“Rússia, se estiver a escutar isso, espero que seja capaz de encontrar os 30.000 e-mails que estão em falta”, declarou Trump em Julho ao sugerir que a Rússia deveria hackear os e-mails de sua adversária democrata Hillary Clinton, acusada de utilizar seu e-mail privado para tratar de assuntos de Estado quando era secretária de Estado.

“É claro que estou a ser sarcástico”, declarou o magnata à rede Fox News, um dia depois de ter lançado desafiado Moscovo em uma conferencia de imprensa.

9. Segunda emenda e Hillary

Trump sugeriu, em um comício na terça-feira, dia 9, que “as pessoas da Segunda Emenda” – os donos de armas – poderiam impedir Hillary Clinton de chegar à Presidência dos Estados Unidos e escolher novos juízes da Corte Suprema.

Não ficou claro a princípio o que Trump quis dizer com essas declarações, mas elas tiveram repercussão imediata na imprensa e nas redes sociais, que expressaram sua preocupação de que Trump estivesse defendendo, de brincar ou não, que Hillary ou os juízes pudessem ser baleados.

Na mesma noite, na Fox News, o candidato rejeitou esta interpretação: “a segunda emenda é um movimento forte e poderoso.” (AFP)

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