‘Esperamos colher 16 mil toneladas de café em 2016’

(Foto: D.R.)

O nosso café – Alguns ainda sonham com o regresso dos ‘anos dourados’ do café, quando Angola era a quarta exportadora mundial do ‘bago vermelho’. Para o ministro da Agricultura, Pedro Canga, que entrevistamos nesta edição, o que importa agora é olhar para a frente e produzir mais. A EXAME foi visitar o nosso café e saber, junto daqueles que o fazem, como está a produção, quantas as dificuldades e quais as perspectivas. O café angolano, que já simbolizou a economia do país, está, ou deverá estar, na primeira linha da diversificação

Angola já esteve entre os principais produtores de café no mundo, estatuto que quer voltar a conquistar. Com efeito, está em curso uma estratégia que visa o relançamento do também conhecido bago vermelho, nas regiões com maior potencial. Os projectos são aqui anunciados pelo ministro Pedro Canga.

Que resultados se podem esperar da colheita de café na safra 2015/2016?

cafe1Vamos ter bons resultados. Temos uma produção de 15.000 toneladas de café comercial, no entanto, o balanço da presente safra será feito no fim de toda a colheita quando começar a comercialização do produto. Nesta altura saberemos quantas toneladas foram produzidas em todo o país e o rendimento atingido.

Quantas toneladas de produtos serão colhidas na presente safra?

No que diz respeito à produção de café, a previsão é colher mais de 16 mil toneladas de produto comercial. No entanto, podemos esperar mais rendimento de outras culturas, por exemplo, nos cereais, onde a previsão é atingir 2 milhões de toneladas.

Nesta altura estamos em fase de colheita e no fim daremos os números certos. No município de Porto Amboim, a produção de milho aumentou consideravelmente durante cinco anos. Agora todos os campos têm plantação de milho de grande quantidade. Além disso, o Cuanza Sul destaca-se na produção de hortícola, frutas, e pequenas agro-indústrias e na produção de ovos.

Que tipos de café podemos encontrar no solo angolano?

Em termos de espécie de café encontramos dois tipos, nomeadamente, o tipo robusta e o tipo arábica.

O que podemos esperar do sector agrícola, principalmente este ano que se fala com muita enfase da diversificação da economia?

Mais produção como resultado do trabalho dos agricultores, agro-industriais, comerciantes, os bancos e os técnicos do sector. A agricultura, a indústria e a agroindústria são as soluções para a diversificação da economia.

Que é que o Ministério da Agricultura está a fazer para incentivar a produção de café?

Em primeiro lugar traçar políticas e através dos seus órgãos competentes prestar assistência técnica, mobilizar intervenientes, encontrar soluções para os problemas que os produtores encontram no dia-a-dia. Estamos igualmente a adaptar a política do Governo no que diz respeito à economia agrária e a realizar os investimentos públicos ligados à agricultura, a apostar na investigação científica, extensão rural, a dialogar com os comerciantes e produtores, a priorizar a formação técnica profissional entre outras tarefas. Tudo isso está a ser realizado à medida das nossas possibilidades técnicas e financeiras.

Que projectos estão em curso em relação à produção cafeícola?

Temos muitos projectos. Cada produtor tem um projecto individual. Existem os institucionais ligados a estruturas de assistência técnica. Por exemplo, a produção de mudas de café para distribuição aos produtores, investigação no sector cafeícola para retirar as melhores espécies, métodos de produção, com o objectivo de aumentar a produtividade, e os rendimentos do sector.

Por outro lado, o Executivo aprovou instrumentos que apoiam as pessoas que pretendem entrar no sector da agricultura, quer para o acesso ao crédito, quer por via de outros métodos que viabilizam a produção. Estamos a insistir em termos de comercialização onde os comerciantes devem aproximar-se dos produtores, reabiltando as suas lojas nas comunas e facilitando as vendas e as trocas comerciais.

Que políticas existem para a produção do palmar?

Quanto ao palmar temos um programa de reabilitação das antigas plantações e a sua renovação introduzindo novas variedades mais produtivas, tendo em conta que o óleo de palma é muito importante para a nossa alimentação e, deste modo, diminuir as importações deste produto.

Qual é a área total de cultivo de café a nível do país?

Neste momento temos uma área total de mais de 50 mil hectares destinados à produção de café e a tendência é aumentar.

O mercado internacional favorece a exportação do café?

Sim. As informações que temos é que o preço do café no mercado internacional está a subir. Então, os produtores de café estão a aproveitar para aumentar a produção e a qualidade. O nosso café tem boa cotação do mercado internacional.

A quanto está a ser comercializado o café no mercado internacional?

Pode ser superior a 2 dólares o quilo de café comercial.

E no mercado nacional, qual é a estratégia para estabelecer o preço de café?

Numa primeira fase devemos discutir com os produtores e os comerciantes para encontrar um preço justo. Não é bom que o produtor que vende não tenha rendimento e que quem ganha seja o comerciante. Precisamos encontrar uma solução que compense o trabalho do produtor e que dê lucros aos comerciantes. Devemos todos anos encontrar um preço negociado entre os produtores e comerciantes.

Acha que poderemos atingir uma produção como no passado, nos anos 70?

Era outro contexto. A intenção é aumentar a produção de café sem ter em conta a referência dos anos passados. Vamos trabalhar e todos anos aumentar a produção de café.

Um agróno mo ao serviço da agricultura
habilitações: Foi em 1981 que Afonso Pedro Canga frequentou e concluiu o Curso Pré-Universitário de Ciências
Agrárias no Huambo.
actividade: Na cidade jardim, foi professor da disciplina de Língua Portuguesa na Escola Regional do Ministério do Comércio Interno, e foi coordenador da Comissão Pedagógica da Escola.
Concluiu a licenciatura em agronomia, onde adquiriu o título de engenheiro agrónomo. Afonso Pedro Canga já exerceu o cargo de director-geral do Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, foi director Nacional Adjunto do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) e Engenheiro Agrónomo do Programa Nacional de Algodão.
Destacam-se também os cargos de consultor do ONUDI para o Estudo sobre Agro-Indústria em Angola e Consultor da FAO.
Representou Angola na Reunião Regional (África) da Conferência Mundial sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento, Adis-Abeba, Etiópia. Foi vice-ministro da Agricultura e do Desenvolvimento Rural de 1995 a 1999. Até 2012 tutelou o Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Rural e Pescas, e assumiu, posteriormente, o cargo de ministro da Agricultura, que desempenha actualmente.
Apesar do ser um homem ligado aos campos e às safras, no que diz respeito a cores a preferência vai para o azul.
Passatempos: O responsável do sector da agricultura em Angola aproveita os tempos livres para visitar plantações e praticar a sua profissão de agrónomo, mantendo um contacto directo com o campo. Também pratica exercícios físicos em sua casa, onde montou alguns equipamentos.
Sonho: O seu maior sonho é de que todas as crianças em Angola tenham uma alimentação adequada e contribuam para o seu desenvolvimento integral e que a pobreza seja um fenómeno do passado. (exame)

Por: Patrícia de Oliveira

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