Esgotos do KK 5000 transformados em lavandaria comunitária

(OPAIS)

Apesar de desconhecerem a origem da água do canal, ou seja, se é pluvial ou bombeada, donas de casa, às dezenas, reúnem-se diariamente junto ao pequeno lago que chamam fonte de água, para lavarem a roupa e tratar da sua higiene pessoal

Os moradores dos bairros situados nos arredores do projecto habitacional KK 5000, na Centralidade do Kilamba, transformaram desde 2015, um canal de retenção de água numa autêntica lavandaria comunitária para, essencialmente, tratarem da sua higiene corporal.

Nem a poluição do lugar, a travessia da estrada e animais como cobras associadas à profundidade da própria fonte de água (de cinco metros) impedem as senhoras e algumas jovens de utilizarem a água sempre que preciso.

A jovem Adelaide, moradora no KK 5000, contou que diariamente assiste muitas pessoas a retirarem água do local para usarem no próprio recinto ou levarem-na para casa. “Crianças, jovens e adultos são utilizadores dessa água, e, mesmo sabendo dos riscos que representa, as mães nada fazem para evitar isso”, revela a jovem.

Segundo fontes, muitas são as senhoras residentes nas imediações que têm as valas como um meio que contribui para a angariação do lucro e garantir a higiene das suas casas. “Também usam a água na limpeza da casa e lavam a roupa de terceiros no local, em troca de dinheiro para garantirem o sustento de suas famílias”, contam as fontes.

A senhora Laurinda José, que é utente do recinto há mais de um ano, contou que a quantidade de pessoas que para lá acorrem cresceu consideravelmente nos últimos tempos.

“Uso a água desta fonte desde o ano passado e já vi muita coisa. Apesar de ser um local com muito lixo, presenciei pessoas saindo de zonas mais distantes à procura de água porque a informação foi passando de pessoa em pessoa”, lamentou a senhora.

A moradora no bairro circunvizinho ao KK 5000, explicou ainda que quando chega a época chuvosa, a água transborda e o local, também tido como lavandaria, fica inundado e, logo, lamacento, mas nem isso afasta a concorrência.

“Para economizar a água que compramos nos tanques, acorremos a este local. Compramos apenas o sabão e às vezes o omo que também ficaram muito caros, pegamos nas nossas bacias e tábuas e viemos aqui, como se fosse um rio, aproveitar a água”, contou.

Acrescentou de seguida que “mesmo não conhecendo a origem da água, se é do (esgoto ou de um cano quebrado), o certo é que serve para lavar a roupa e usamos para a nossa higiene corporal”.

Segundo ela, essa é a forma que encontraram para economizar o dinheiro e manter a roupa sempre limpa, principalmente das crianças. “Nunca foi nossa vontade sair do nosso bairro para vir até aqui do outro lado, atravessar essa estrada perigosa, só para lavar. É mesmo a carência que obriga. Muitas vezes, a água para beber também pegamos dentro do KK 5000, no Kilamba”, acentuou.

“Pedimos ao nosso Governo que veja a nossa situação, porque somos pessoas iguais às que vivem no Kilamba. Vivemos tão próximos deles e não beneficiamos dos mesmos serviços. Os nossos vizinhos da Centralidade têm água e luz e nós nada, como é possível ?”

Questionou uma das nossas entrevistadas. Por sua vez, Ana Maria Suzi garante que a água é boa para lavar a roupa, tomar banho e até tratar da casa. E, para comprová-lo, contou que os seus filhos há muito tempo usam-na para a higiene pessoal e nunca tiveram problema algum de saúde.

“Só não deixamos é beber, porque não sabemos qual é a sua origem”, frisou. Contou ainda que durante o fim-de-semana, a quantidade de pessoas que frequentam o local cresce. As pessoas que não têm possibilidade de realizar as suas tarefas nos dias de semana fazem-nas aos Sábado, por isso é o dia com mais enchente. (OPAIS)

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