Escassez de matérias-primas leva panificadoras à falência

(Foto: D.R.)

Mais de 20 padarias e pastelarias que operam na cidade de Menongue, encerraram este mês por falta de matéria-prima, revelou ontem o director provincial da Indústria e Geologia e Minas do Cuando Cubango.

Bento Xavier justificou a escassez da matéria-prima com o facto de a província do Cuando Cubango se localizar muito distante dos principais centros de consumo do país, uma situação agravada pelo mau estado das estradas, o que eleva o custo de transporte dos bens para a região.
Para se evitar que as outras padarias sigam o mesmo destino, o Governo Provincial está a trabalhar em parceria com o Ministério da Indústria, para se encontrarem alternativas capazes de fazer chegar a farinha de trigo, óleo alimentar, sal, entre outros ingredientes a preço razoável.

Outra solução passa pela indicação de um representante do Cuando Cubango, devidamente credenciado, junto do porto do Namibe, que adquira toda a matéria-prima utilizada na produção do pão e fazer chegá-la aos comerciantes da região a um custo razoável, utilizando como via de escoamento o Caminho-de-Ferro de Moçâmedes.
“Estamos a trabalhar para tirar a farinha de trigo e outros produtos a partir da vizinha província do Namibe, aproveitando o comboio que tem cinco frequências semanais para o Cuando Cubango”, disse o responsável da Indústria na Huíla.

Nos principais estabelecimentos comerciais de venda a grosso da cidade de Menongue e nos mercados informais, o saco de trigo de 50 quilogramas está a ser comercializado a 30 mil kwanzas contra os 4.500 anteriores, o bidão de óleo alimentar de 20 litros passou de 3.000 para 15.000 kwanzas.
O saco de sal de 20 quilogramas está a ser comercializado a 3.000 kwanzas contra os 750 kwanzas antecedentes, o preço da caixa de melhorante subiu de 25.000 para 55.000 kwanzas, ao passo que a caixa de fermento ascendeu de 3.500 para 18.000 kwanzas.
O gerente da padaria Mbolo Ya Kutuíma disse que, para a aquisição da matéria-prima para fabrico do pão, recorre às províncias de Luanda, Benguela e Huambo.
Housmare Ahmed acrescentou que diariamente compra 120 litros de gasóleo para alimentar o gerador de 100 KVA e fazer funcionar os fornos. Actualmente produz cinco mil pães por dia contra os nove mil anteriores, devido à escassez da matéria-prima.
O gerente da padaria Mauang, Mohamed Lemin, devido à crise financeira, teve de reduzir o seu quadro de pessoal de 10 para cinco trabalhadores, mas garantiu que, tão logo a situação melhore, os mesmos serão convidados a retomar as suas actividades.
“Apesar da diminuição do peso do pão, a qualidade é a mesma e acredito que ainda posso estar entre as melhores empresas panificadoras e pasteleiras da província do Cuando Cubango”, disse. (jornaldeangola)

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