“É Show ou é Fria”: terceira semana de agosto (18 a 24)

Roberto Carlos (YAHOO)

ROBERTO CARLOS

18 a 21 – Espaço das Américas – São Paulo

Vamos encarar a verdade? Ok, lá vai: se você viu um show do Roberto Carlos, viu todos. Infelizmente, ele é incapaz de mudar um único detalhe de suas apresentações e esta postura já dura há décadas. As músicas são as mesmas, os arranjos são os mesmos, a comunicação com a plateia é a mesma, as rosas distribuídas para as senhoras tresloucadas que se sentam nas primeiras fileiras já são de praxe, a leitura descarada das letras em um teleprompter, o pieguismo romântico… Tudo rigorosamente igual. Se você não se incomoda com isso, bom proveito! Mas se é para saborear sempre a mesma iguaria, prefiro comer pastel de queijo na feira…

MEGADETH

18 – Spazio Van – Curitiba

São quatro os maiores motivos para você ir a este show: 1) a possibilidade de ouvir algumas canções do mais recente – e espetacular! – álbum da banda, Dystopia, e todas outras canções sensacionais da discografia dos caras; 2) a presença de Kiko Loureiro em uma das guitarras, o que obrigou o líder Dave Mustaine a tocar ainda melhor e a dar uma levantada no repertório da banda em termos de qualidade; 3) a eficiência técnica de todos a serviço de canções memoráveis, principalmente do estupendo baterista Dirk Verbeuren, ex-Soilwork; 4) A possibilidade de Mustaine continuar de bom humor e deixar de cantar como uma criança de doze anos que acabou de engolir uma bexiga cheia de ar. Para bater cabeça até dar paralisia no pescoço…

HAMILTON DE HOLANDA

18 – Circo Voador – Rio de Janeiro

Um dos mais extraordinários instrumentistas da nova geração, ele deu ao bandolim uma linguagem absolutamente nova, quase revolucionária, a ponto de estabelecer uma até então inesperada ponte entre o chorinho e o jazz. Aqui ele mostra um show batizado como “Baile do Almeidinha”, no qual mostra suas habilidades interpretando forrós, sambas, frevo, choros, xotes e outros ritmos brasileiros. É um show indispensável para quem quer fugir do comodismo musical que impera nos dias de hoje.

“JAZZ NA FÁBRICA”

18 a 21 – SESC Pompeia – São Paulo

O tradicional festival anual oferece sempre um ótimo painel da diversidade dentro deste gênero maravilhoso. Em sua sexta edição, nessa semana recomendo veemente as apresentações dos saxofonistas Michael Blake e Donny McCaslin – este último um ex-integrante da orquestra do lendário e falecido maestro Gil Evans -, e dos pianistas Matthew Shipp e Robert Glasper. Não perca isso de maneira alguma!!!

MAX DE CASTRO & NEW POWER GENERATION

19 – Cine Joia – São Paulo

Não deixa de ser surpreendente a parceria entre Max e alguns extraordinários músicos que acompanharam o saudoso Prince em muitos momentos de sua carreia, como o baixista Andrew Gouche, os tecladistas Dominique Taplin e Cassandra O’Neal e, principalmente, o monstruoso baterista John Blackwell. O intuito é fazer homenagem ao mais lendário baixinho do show business e eu tenho quase certeza de que a plateia ficará de queixo caído com a performance dos músicos. Resta saber se Max vai dar conta do recado em cantar as canções do Prince com a sua voz pequena e nem sempre afinada. Aí é outro papo…

LOS SEBOZOS POSTIÇOS

19 – Circo Voador – Rio de Janeiro

O projeto que reúne alguns integrantes da Nação Zumbi foi montado para fazer uma homenagem à música criada por Jorge Ben antes que este mudasse para Benjor. A coisa acabou rendendo um bom disco e agora cresceu a tal ponto que virou uma turnê. É uma daquelas apresentações que pode surpreender os mais incautos e, principalmente, para quem pensa que “Ben” e “Benjor” faziam o mesmo som…

CRIOLO

19 – Citibank Hall – São Paulo

Ele deixou de fazer shows de lançamento de seu mais recente álbum, o horrível Convoque o Seu Buda, e voltou a apresentar todas as canções de seu primeiro disco, agora “repaginadas”. Uma coisa é certa: se você deixar de lado toda a babação de ovo por parte da imprensa dita “especializada em cultura” e do público que aplaude qualquer coisa sem ter escutado nada, e não der a menor importância ao messianismo de araque que o cara insiste em exalar em cima do palco, pode até curtir algumas canções do rapper “bola da vez”. E escrevo “algumas” porque é isto mesmo: ele acerta a mão em coisas como a linda “Não Existe Amor em SP”, mas quando erra… Meu Jesus Cristo!

THIAGUINHO

19 – Via Marquês – São Paulo

Pouco importa que ele esteja lançando um novo disco, Outro Dia, Outra História. Embora seja um cara carismático em cima do placo, Thiaguinho desperdiça isto com um repertório de porcarias vexaminosas, que só entusiasma periguetes e candidatas a tal. Sem contar que, ao vivo, sua voz não é lá essas coisas, o que não ajuda em nada a tornar seu show um evento imperdível. Pelo contrário: é preferível ficar em casa assistindo ao videotape de Sampaio Correa x Remo, disputado em uma terça-feira chuvosa.

ISABELLA TAVIANI

19 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

Até acredito que ela seja uma boa moça, mas não dá para engolir mais um clone da Ana Carolina, agora em versão “atração de diretório acadêmico de faculdade”. Quem sabe nesta apresentação, na qual irá mostrar apenas canções dos Carpenters – registradas em seu mais recente trabalho, Carpenters Avenue ­– ela se sinta influenciada o suficiente para redirecionar o seu som daqui em diante, né?

FABIANA COZZA & CADEIRA

19 e 20 – SESC Belenzinho – São Paulo

Em show em homenagem ao centenário do samba e inspirado no álbum Gente da Antiga, gravado por Pixinguinha, Clementina de Jesus e João da Baiana em 1968, a cantora e o grupo resgatam a sinergia sônica que sempre houve entre o samba e o tradicional folclore nacional.

FLÁVIO VENTURINI, SÁ & GUARABYRA & 14 BIS

19 – Teatro Positivo – Curitiba

20 – Auditório Araújo Vianna – Porto Alegre

Dentro do projeto Encontro Marcado, a união entre estes músicos e cantores vai muito mais do que comemorar décadas de carreira, mas principalmente resgatar ótimas canções que cada um deles ostenta em seus respectivos currículos. Dê uma arriscada…

VANESSA DA MATA

19 e 20 – Teatro Castro Alves – Salvador

Esqueça bobagens como “Ai Ai Ai”. Há uma delicadeza brejeira na voz de Vanessa que funciona perfeitamente dentro de suas canções. Suas apresentações são sempre corretas, com direção segura. É uma boa pedida para quem quer impressionar a(o) parceira(o) recém-conquistada(o), principalmente porque nesses shows, nos quais ela vai mostrar no formato “piano, violão e voz” algumas composições de seu mais recente trabalho, o interessante Segue o Som, e canções de seus discos anteriores.

TOM ZÉ

19 a 21 – SESC Belenzinho – São Paulo

Se existe um artista cujas apresentações são totalmente imprevisíveis, este cara é Tom Zé. Portanto, prepare-se caso resolva encarar a experiência…

LET’S ZAPPALIN

20 – Serralheria – São Paulo

O novo grupo liderado pelo extraordinário guitarrista Rainer Pappon – um especialista na obra de Frank Zappa desde os tempos em que integrava a Central Scrutinizer Band – é de uma competência ímpar na hora de executar as elaboradíssimas composições do falecido gênio bigodudo, tocando tudo com esmero impressionante. Não perca isto de forma alguma!

TITÃS

20 – Teatro Positivo – Curitiba

A nova formação estava finalmente bem azeitada, e o repertório, que intercala as ótimas canções do passado com as novas do bom e mais recente álbum, Nheengatu, eram motivos mais que suficientes para que você levantasse a bunda da cadeira e assistisse ao show. Agora, com a saída de Paulo Miklos e a entrada do guitarrista Beto Lee, tudo vai soar meio diferente, provavelmente com um peso ainda maior. Estou muito curioso para ver essa nova formação. E você?

REVELAÇÃO

20 – Carioca Club – São Paulo

Este grupo tinha tudo para fazer um trabalho digno dentro do samba, já que todos são bons instrumentistas, sabem fazer arranjos de qualidade… Infelizmente decidiram enveredar pelo “pagode mela-calcinha”, recheando suas composições com letras abomináveis em termos de romantismo e poesia, envergonhando um gênero que já propiciou canções admiráveis da parte de Paulinho da Viola e Cartola, por exemplo. Ah, se eu fosse produtor destes caras…

NATIRUTS

20 – Espaço das Américas – São Paulo

É imperdoável que não tenhamos bandas de reggae decentes em um país tropical como o nosso. A melhorzinha delas é justamente este grupo, que tem lá suas qualidades na parte instrumental, mas que peca justamente no discurso, já que as letras são mais fracas que óleo de máquina de costura. Se você for chegado num “fumacê” e acha que reggae é Bob Marley e mais ninguém, pode até se divertir neste show. Se tiver um pouco mais de tutano, vai segurar a sua grana e esperar para gastá-la quando uma boa atração internacional aportar por aqui.

LUAN SANTANA

20 – Citibank Hall – São Paulo

Cada época tem o ídolo popular que merece. Este garoto, dono de um repertório mais fraco que sopa de albergue noturno, com canções que trazem os piores clichês desse universo “dor-de-corno-sertaneja” e seus maneirismos em cima do palco só consegue levar à histeria quem tem menos de quatro neurônios em funcionamento. É o exemplo máximo do ídolo que reina na estupidez da juventude descerebrada nacional. Passe longe disso, pelo amor de Deus! Vá viajar, escalar uma montanha, voar de asa-delta. Faça um churrasco com os amigos, lave as suas cortinas, conserte seu chuveiro. Leve a patroa para um piquenique, surpreenda o namorado com uma lingerie bem sexy, lave suas cuecas no tanque. Leia um livro, jogue basquete com seus sobrinhos, assista a uma mesa redonda de futebol na TV. Pinte seu pijama de preto, bata um papo com o porteiro do seu prédio, faça uma galinhada com cerveja para os seus pais. Faça qualquer coisa, menos assistir a este show…

MARIA RITA

20 – Metropolitan – Rio de Janeiro

Demorou um pouco para que grande parte do público levasse a filha de Elis Regina a sério como cantora. E não há nada de errado com o mundo quando se percebe que ela melhorou muito como cantora e, principalmente, na escolha do repertório de seus shows. Há uma dose maior de espontaneidade em suas apresentações e sua banda de apoio é eficientíssima. Para quem nunca a viu em cima do palco, vale a pena dar uma arriscada…

TERRA CELTA

20 e 21 – SESC Santana – São Paulo

Este grupo faz um show bem animado, já que sua música tem profundas influências das canções mais tradicionais da Irlanda, Escócia e Bretanha, e tudo é tocado com aquela sonoridade característica, com muitos instrumentos típicos, como violino, gaita de fole, acordeom, banjo, mandolin, tin whistle, clarinete, bouzoukie muitos outros. Vale a pena!

ELLEN OLÉRIA

20 e 21- SESC Vila Mariana – São Paulo

De Brasília veio uma das cantoras mais incríveis dos últimos tempos aqui no Brasil. Com um gingado impressionante, o som de dela era um caldeirão tão bem elaborado de jazz, funk setentista dos bons, samba e hip hop que, no geral, seu disco Peça não poderia ter passado despercebido por quem realmente quer saber o quão legal anda a música brasileira. Só que passou e Ellen teve que vencer uma das edições do The Voice para se tornar conhecida, o que resultou em um novo disco, fraquíssimo, batizado com o seu nome e lançado no ano passado. Agora ela apresenta um novo show, no qual precisa definir se vai retomar a energia de outrora ou soar como uma “Maria Gadú mais rotunda”. Deus queira que a decisão seja a melhor para ela e para nós…

THE WONDER YEARS

20 – Hangar 110 – São Paulo

21 – John Bull – Curitiba

O som da chatíssima banda norte-americana não passa de um pastiche de Fall Out Boy, só que tocado por uns marmanjos barbados. É um chororô de torrar o saco do Dalai Lama. Fuja dessa bomba!

TEATRO MÁGICO

20 – Teatro Guaíra – Curitiba

21 – Auditório Araújo Vianna – Porto Alegre

Poucas coisas eram tão chatas quanto assistir a um show destes caras. O clima de “apresentação musical/teatral/poética/papo-cabeça de fim de ano de colégio estadual” era um dos troços mais insuportáveis que você possa imaginar, ainda mais acompanhado de canções muito fracas, mas que são cantadas em uníssono por fãs que morrem de saudade dos Los Hermanos. Só que minha impressão a respeito do som da banda melhorou bastante depois que ouvi o álbum da banda, Grão do Corpo (2014), que tem boas canções, por mais incrível que possa parecer. Quando achei que os caras engrenariam finalmente, soltaram meses atrás pavoroso Allehop. Assim não dá! Nem assisti ainda a este novo show, mas tenho quase certeza que irei odiar…

ADRIANO GRINEBERG

21 – Museu da Casa Brasileira – São Paulo

Poucos músicos no Brasil tratam o blues e seus estilos derivados com tamanha competência e qualidade quanto este tecladista especializado no órgão Hammond e em suas inúmeras sonoridades. Irreverente e chegado em uma interatividade com a plateia, ele certamente vai incluir em seu sempre ótimo repertório algumas canções de seu ótimo e mais recente trabalho, Blues for Africa. Não perca esta apresentação matinal gratuita de maneira alguma!

ORQUESTRA JUVENIL HELIÓPOLIS e GRUPO DE METAIS E PERCUSSÃO DO INSTITUTO BACCARELLI

21 – Auditório MASP Unilever – São Paulo

Bom programa dominical para levar seus filhos. Pela manhã, a orquestra regida pelo maestro Edilson Ventureli vai interpretar peças de Beethoven, com solos do pianista Rogério Zaghi; à tarde, será a estréia do recém-criado Grupo de Metais e Percussão do Instituto Baccarelli, conduzido por Marcos dos Anjos, que vai mostrar obras de renomados compositores, como Aaron Copland, Strauss, Sibelius, Carlos Gomes e outros. Boa pedida para despertar a curiosidade musical na petizada…

BIQUINI CAVADÃO

21 – P12 Parador Internacional – Florianópolis

Uma das mais medíocres bandas da história do rock brasileiro fazendo shows tão animados quanto uma quermesse em dia de chuva. Tô fora!

FAFÁ DE BELÉM

21 – Teatro Castro Alves – Salvador

Para os mais jovens, ela é apenas uma “tia cantora que foi jurada do Ídolos”, mas tenha a certeza de que ela é muito mais do que isto. Dona de uma das vozes mais lindas da história da MPB, ela tem tudo para fazer um bom espetáculo intimista. O problema será o repertório, coisa que Fafá nunca soube escolher muito bem ao longo de sua carreira. Torça para que ela esteja inspirada e deixe de lado a cafonice que sempre marcou grande parte de suas interpretações. Principalmente agora em que ela acabou de lançar um disco – o fraco Do Tamanho Certo Para o meu Sorriso – depois de dez anos longe dos estúdios.

BIANCA GISMONTI TRIO

22 – SESC Consolação – São Paulo

Conheço o trabalho da filha do mítico Egberto Gismonti por intermédio do excelente Duo Gisbranco, que ela tem em parceria com a também pianista Claudia Castello Branco. Posso atestar que sua habilidade e sutileza como instrumentista são de cair o queixo. Por isso, uma apresentação dela com seu próprio trio, ainda mais gratuita, é daqueles eventos absolutamente imperdíveis. Aproveite e leve toda a família! (YAHOO)

por Regis Tadeu

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