Dupla angolana do remo é um dos destaques entre os PALOP no Rio 2016

No Rio, os atletas André Matias e Jean-Luc Rasamoelina representarão Angola no remo pela primeira vez numa Olimpíada. (DW)

A delegação angolana é uma das maiores, com 26 atletas em sete modalidades distintas. País competirá no remo pela primeira vez nos Jogos Olímpicos.

Os Jogos Olímpicos do Rio 2016 começam na noite desta sexta-feira (05.08) com a cerimónia de abertura, no Estádio Olímpico do Maracanã.

Dentre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) que participarão desse megaevento, Angola é o que tem a maior delegação, composta por 26 atletas em sete modalidades distintas.

O remo, que vem conquistando cada vez mais no espaço no país, será disputado pela primeira vez em uma competição que reunirá os melhores desta categoria no mundo.

Os remadores olímpicos André Matias e Jean-Luc Rasamoelina são uma das apostas de Angola para o Rio 2016. A dupla conversou com a DW-África, no rio de Janeiro.A estreia da dupla angolana de remo é uma conquista inédita, realizada graças ao desempenho dos atletas que sonham por uma medalha olímpica. André Matias, 27 anos e Jean-Luc Rasamoelina de 26, remaram muito pra chegar até a Lagoa Rodrigo de Freitas, palco das provas de remo durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Preparação

André nasceu na cidade do Porto, ao norte de Portugal, mas foi criado em Luanda, capital de Angola. Com apenas 16 anos de idade se mudou para os Estados Unidos para concluir os estudos.

Depois de formado retornou a capital angolana e começou a praticar o remo. Mas foi em 2013, que o atleta formou dupla com o colega angolano Jean-Luc e a partir daí bons resultados começaram a aparecer no remo de Angola. Foram três medalhas de bronze e duas de prata em campeonatos africanos.

Em outubro de 2015, os atletas conquistaram uma vaga na Olimpíada, depois de muito treino e estágios em Portugal, Espanha e Suíça. André Matias fala do esforço da dupla para competir entre os melhores do mundo.

“Já foi uma grande resposabilidade termos encarado o desafio, porque um lugar classificativo para a África na nossa categoria, sabíamos que ia ser muito difícil e portanto foi um grande sacrifício para conseguirmos levar Angola aos Jogos olímpicos Isto foram anos de treinamento”, destaca André Matias.

Uma aposta para o Rio 2016

A prática do remo em Angola deixou de existir no período pós-independência e só ganhou força nos últimos dez anos no país africano. Jean-Luc, que em 2010 trocou o futebol e as quadras de tênis pelo remo e barco, revela que mesmo com poucas condições financeiras, a modalidade esportiva vem crescendo no país, marcado por lutas e conflitos armados.

“Há um clube de remo lá em Angola, em Luanda, e somos uma dúzia de atletas com uma média de meia dúzia de barcos. O remo está a evoluir. É caro para o clube, pois tem que comprar barcos, equipamentos como o ergômetro, mas está a evoluir devagar”, diz Jean.

Infraestrutura na Vila Olímpica

Questionado sobre a infraestrutura das instalações da Vila Olímpica, que apresentaram alguns problemas durante a inauguração, André Matias apresenta uma diferente opinião em relação as reclamações dos australianos e norte-americanos.

“Eu cresci em Luanda, em África, e portanto tenho uma perspetiva diferente de pessoas que cresceram em outros países, como nos Estados Unidos, na Áustrália,
onde as expectativas são diferentes”, afirma o atleta luso-angolano.

Atletas da Austrália, Estados Unidos, Argentina, Suécia e China reclamaram das instalações prediais da Vila Olímpica, localizada na zona oeste do Rio. O presidente do Comitê Rio2016, Carlos Arthur Nuzman, admitiu os problemas e disse que tudo será resolvido o mais breve possível.

PALOP no Rio 2016

Além de Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Moçambique também estão representados nesta Olimpíada. Ao todo, 45 atletas dos PALOP vão disputar medalhas em 12 modalidades desportivas. Confira a lista completa:

Angola – 26 atletas em sete modalidades: Atletismo, Handebol, Judô, Natação, Remo, Tiro Esportivo e Vela.

Cabo Verde – cinco atletas em quatro modalidades: Atletismo, Boxe, Ginástica Ritmica e Taekwondo.

Guiné-Bissau – cinco atletas em três modalidades: Atletismo, Judô e Luta Olímpica.

Moçambique – seis atletas em quatro modalidades: Atletismo, Canoagem Velocidade, Judô e Natação.

São Tomé e Prínicipe – três atletas em duas modalidades: Atletismo e Canoagem Velocidade. (DW)

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