Director de campanha de Trump cede à pressão e demite-se

(Reuters)

Envolvido em polémica por ter recebido pagamentos não declarados do anterior regime ucraniano, Paul Manafort apresentou a demissão de número um da campanha de Donald Trump.

Paul Manafort deixou de ser o director da campanha eleitoral de Donald Trump na corrida do candidato republicano à Casa Branca. Foi o próprio magnata nova-iorquino do imobiliário a confirmar a demissão do seu braço-direito.

“Esta manhã (sexta-feira, 19 de Agosto) Paul Manafort pediu, e eu aceitei, a sua demissão da campanha. Estou muito agradecido pelo seu excelente trabalho ter-nos levado até onde nos encontramos”, disse Trump num comunicado, citado pelo Politico, que conclui com desejos de “sucesso” para o futuro de Manafort.

Ainda antes de Donald Trump emitir o citado comunicado, o The Washington Post já adiantava, segundo declarações proferidas ao jornal por uma fonte não identificada, que Paul Manafort (na foto) cedera à pressão democrata e dos media, optando pela demissão.

Esta era uma decisão aguardada, especialmente depois de a meio desta semana Donald Trump ter reformulado a estrutura responsável por conduzir a sua campanha para as eleições presidenciais norte-americanas agendadas para o próximo mês de Novembro.

A polémica em torno de Manafort eclodiu no domingo passado, com uma notícia, publicada pelo The New York Times, a garantir que o director da campanha de Trump recebeu, entre 2007 e 2012, 12,7 milhões de dólares em pagamentos não declarados, e que terão sido efectuados pelo Partido das Regiões, a força política do ex-presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovych.

Paul Manafort admitiu de imediato ter, de facto, recebido pagamentos do partido de Yanukovych em contrapartida pelos serviços de aconselhamento político prestados ao partido do antigo aliado do presidente russo, Vladimir Putin. Contudo, Manafort assegurou que não recebeu qualquer pagamento por “debaixo da mesa”.

As notícias sobre o relacionamento entre Manafort e Yanukovuch, contribuíram ainda para adensar as especulações em torno da aparente proximidade entre Trump e Putin, isto tendo em conta os vários elogios feitos pelo multimilionário norte-americano ao governante russo.

Posteriormente surgiram também notícias que implicavam Paul Manafort com o financiamento de alguns regimes ditatoriais, como o de Mobutu, no Zaire (actual República do Congo), ou o apoio a partidos como foi o caso da UNITA, do malogrado Jonas Savimbi.

Numa altura em que Donald Trump vem perdendo terreno nas sondagens para a sua rival democrata, Hillary Clinton, em especial devido a algumas polémicas que levaram ao afastamento de importantes membros do Partido Republicano face ao seu candidato, Trump veio agora pedir desculpa por muitas dessas declarações que, o próprio, considera não terem sido bem medidas, nem suficientemente reflectidas. (Negocios)

por David Santiago

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