Demolições no Zango provocam acusações entre MPLA e UNITA

(OPAIS)

Higino Carneiro diz que causador da situação é integrante da Rádio Despertar. Alcides Sakala refuta

O primeiro secretário do Comité Provincial do MPLA de Luanda, Higino Carneiro, acusou no fim de semana o empresário Daniel Pascoal de ser um dos principais instigadores dos actos de desobediência e de confusão registados no Zango II, na sequência das demolições de construções que se encontravam nos perímetros da Zona Económica Especial e também do novo aeroporto. “Gostaria de aproveitar esta ocasião para endereçar à família do jovem que faleceu há dias e cujo nome ficamos a saber que é Rufino, as nossas sentidas condolências e fazer notar que tudo isso foi causado por uma pessoa, Daniel Pascoal, um ambicioso empresário dirigente da Radio Despertar que quer ocupar espaço no território do aeroporto e leva os militantes lá para ocupar terreno e criar a confusão”, disse num acto de massas realizado em Viana para saudar o VII Congresso do seu partido, tendo garantido que vai mandar instaurar um processo para que o mesmo responda em Tribunal.

“Temos que acabar com isso e esse senhor tem que ir à Tribunal. Eu orientei o administrador Jeremias Dumbo para processá-lo a fim de evitar que haja confusão aqui”, frisou. Em causa estão as recentes demolições de mais de mil casas nas imediações da Zona Económica, na localidade do Zango II, que resultaram na morte a tiro, por militares, do adolescente de 14 anos Rufino António. Contactado por OPAÍS, o secretário para a informação da UNITA, Alcides Sakala, refutou as acusações, referindo que o cidadão em causa não é integrante da Radio Despertar nem da UNITA. “Não. O cidadão em questão não está ligado a Radio Despertar nem à UNITA. Ele fez apenas um desmentido na estação. Não tem ligações nenhumas”, frisou.

Entretanto, o responsável político não deixou de considerar os acontecimentos do Zango II como um processo mal conduzido desde o início. “É verdade que está errado. Nós temos dito e até na Assembleia Nacional fizemos uma abordagem sobre esta problemática dos desalojamentos. Se há necessidade de se desalojar uma população, primeiro é preciso esta belecer uma ponte de diálogo com as populações”, frisou. Questionado sobre uma eventual possibilidade de a UNITA estar por detrás dos incitamentos como se cogita, Sakala considera a acusação “tendenciosa” e “infundada”. “Acusar a UNITA de ser culpada da situação é tendencioso. Nós não temos nada a ver com a situação. Nós é que destruímos aquilo? Então destroem e as pessoas não podem reclamar? Não fomos nós que fizemos as demolições. Nós não temos nenhuma responsabilidade sobre isto. A UNITA não tem nenhum interesse em incitar as populações”, frisou. A seu ver, o que se passa é que a prática das demolições está a ganhar uma dimensão nacional em que os grandes latifundiários procuram espaços e o Estado não toma posições claras como árbitro para mediar estes conflitos de terras. (OPAIS)

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