Delegados reagem ao discurso do líder do MPLA

(Foto: D.R.)

O delegado Francisco Viana considerou como ‘excelente’ o discurso efectuado pelo presidente do MPLA, particularmente no que toca a parte empresarial.

O também presidente da Associação dos Empresários de Luanda disse que José Eduardo dos Santos foi bastante claro, porque não se pode confundir os empresários nacionais. Segundo o membro do MPLA, ‘há aqueles que estão no país, se estão a esforçar no seu dia a dia, sejam eles grandes ou pequenos, ultrapassando as dificuldades’.

Para Viana, existem outros que andam a traficar influências, a roubar aquilo que é do Estado, aproveitando-se através do sistema de comissões e não são desejados em Angola.

‘É um sinal muito claro, muito corajoso no sentido de nós moralizarmos a coisa pública’, garantiu o delegado.

Relativamente ao acesso às divisas, Francisco Viana disse que vão aguardar pelo debate sobre as questões do Executivo, uma vez que isso ainda não está claro nem há uma luz no fundo do túnel.

Apesar de participar no congresso como militante, o empresário garantiu que o que o preocupa é ‘Angola na sua generalidade’. Mas, prosseguiu, na sua qualidade de responsável da Associação Empresarial de Luanda, espera ser também o porta-voz dos empresários, principalmente dos pequenos e micro, assim como dos que estão na agricultura familiar. O objectivo é apetrechar o próprio Estado com meios para desenvolver projectos e transformar de uma forma contínua os empresários do país.

Por sua vez, Paixão Júnior, responsável do Comité de Especialidade dos Bancários do MPLA, salientou que as referências económicas feitas pelo presidente têm a ver com a crise que afecta o país. O delegado considera que ‘quando há crise, há problemas de empregos, preços, falta de divisas, insuficiência da produção, da necessidade da diversificação e principalmente dos sectores que contribuem para a exportação’.

‘Se há crise, esta era das áreas que não se podia deixar de tocar’, garantiu Paixão Júnior, alertando que ‘o que recebemos é um reforço da estratégia que o Executivo já delineou e temos estado a materializar’.

O bancário salienta que o presidente do seu partido ressaltou a necessidade de se trabalhar com empresários sérios, aqueles que estão comprometidos com a causa de Angola e é o que vão fazer.

‘Vamos procurar buscar empresários com outras qualidades. Aqueles que têm os requisitos para trabalhar. Aqueles que temos podido verificar as suas actividades, que são inspeccionadas, auditadas, têm contabilidade e negócios sérios que contribuem para o desenvolvimento do país’, disse Paixão Júnior, garantindo que a estes ‘vamos dar uma atenção especial para que possamos alcançar os objectivos explanados na estratégia e na moção de estratégia para a saída da crise’.

O também presidente do Conselho de Administração do Banco de Poupança e Crédito (BPC), diz que os membros do comité a que pertence se revêm nas estratégias do Executivo, pretendem materializá- lo e estão preparados para que todo este conjunto de acções encontre alguma sustentação e sejam desenvolvidas. ‘Qualquer sector da vida económica e social, incluindo o financeiro e bancário é também chamado a cumprir o seu papel. E este papel está perfeitamente determinado, pelo que é preciso fazer tudo para que possamos minimizar os efeitos que esta crise traz’, salientou.

‘O Presidente ignorou olimpicamente Ambrósio Lukoki’

Um antigo deputado à Assembleia Nacional e convidado ao VII Congresso disse a OPAÍS que o presidente do MPLA ‘ignorou olimpicamente os pronunciamentos feitos na véspera’ pelo antigo membro do Comité Central Ambrósio Lukoki. Um dia antes do início do congresso, Lukoki teceu duras críticas ao presidente do partido em que milita, assim como aos métodos de trabalho do Comité Central.

Segundo a fonte deste jornal, apesar de ter criticado a organização, a sua actual linha ideológica, o antigo ministro da Educação do período do partido único não apresentou qualquer ‘sugestão sobre o perfil ideológico que o MPLA devia assumir’. ‘Se fosse o marxismo-leninismo puro e duro, teríamos sérias dificuldades de fazer a reconciliação.

O MPLA teve de entender que a assumpção da economia de mercado, que não é de hoje, confere uma substância política e ideológica que não se compadece com o socialismo científico de ontem’, opinou. A fonte, que preferiu o anonimato, ressaltou igualmente o facto de José Eduardo dos Santos ter falado sobre os actos de corrupção que depauperam o Estado, algo que ‘não é visto de bom grado pela direcção do partido’.

Segundo o político, ‘o MPLA recomenda apoio aos empresários e cidadãos de boa vontade, que contribuem para a criação de riqueza e emprego’. ‘O presidente realçou o carácter do MPLA como partido de massas e de quadros, mas sobretudo como uma família onde coexistem várias sensibilidades que concorrem para a coesão nacional, social e de reconciliação’, sentenciou. (opais)

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