Cuanza Norte: Aumento do preço da farinha precipita subida do pão

Preço do pão dispara em Ndalatando (Foto: Diniz Simão)

O aumento do preço do pão nos últimos dias, em Ndalatando, capital da província do Cuanza Norte, passando a custar entre 25 e 50 kwanzas, contra os 10 e 15 kwanzas anteriores está a inquietar várias famílias locais de baixo rendimento e que tem no pão um elemento fundamental da sua alimentação.

Numa sondagem efectuada terça-feira, em algumas padarias, a Angop constatou que esta subida deve-se ao aumento dos custos da matéria-prima como farinha de trigo e das dificuldades de aquisição da mesma, situação que provocou ainda a redução do tamanho do pão.

Elmer de Jesus do Nascimento Cacório, subgerente da padaria Sovinha disse que a responsabilidade por tal situação não é dos produtores de pão, atribuindo o facto ao actual momento “menos bom” que atravessa a economia angolana.

O mesmo, apela as famílias à calma e coragem pelas dificuldades em que estão a passar na hora de colocar o pão às suas mesas.

Um comerciante mauritaniano, gerente de uma padaria e de um estabelecimento comercial, que se recusou a ser identificado, disse que actualmente o saco de 50 quilogramas de farinha de trigo está a ser comercializado ao preço de 28 a 29 mil kwanzas contra os seis mil e 200 a seis mil e 700 anteriores, uma situação que dificulta o normal funcionamento das panificadoras.

Aponta igualmente o aumento do preço do fermento (outro elemento indispensável para produção do pão, além do sal) de nove mil para 25 mil kwanzas a caixa, como outro factor que está a contribuir no encarecimento do pão.

Por sua vez, os consumidores mostraram-se insatisfeitos com a subida do preço do pão, sobretudo com a redução do tamanho do mesmo produto.

Marcelina António considera o preço do pão, associado ao seu tamanho reduzido, como uma “autêntica” especulação que o governo deve combater com urgência para evitar mais sofrimentos às famílias.

Já, Eva Benza salientou que há já alguns meses que não consegue comprar o pão para o pequeno-almoço da família, tendo em conta o actual preço do mesmo que não ajuda, dado o número de pessoas que residem em sua casa.

“Agora voltámos a incluir no matabicho o caraz (inhame), mandioca e banana com chá, não temos como, o pão está tão caro que para alimentar uma família de 10 pessoas, imaginem…” desabafou a interlocutora.

Na província do Cuanza Norte, segundo dados da Direcção local da Indústria, Geologia e Minas, existem 27 unidades de panificação, entre padarias e pastelarias, maioritariamente detidas por estrangeiros, sobretudo mauritanianos e guineenses-Conacri, sendo que estes detêm igualmente, o monopólio do comércio do trigo. (ANGOP)

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