Crise fez subir negócio do sal

(Foto: D.R.)

Um dos empresários mais proeminentes do sector salineiro no Namibe e em Angola, Fernando Solinho, afirma que em tempo de crise as suas vendas de sal atingiram o record de cinco mil toneladas em 2016.

Como vão as vendas este ano, comparativamente aos últimos cinco anos em que vocês tinham grandes quantidades de sal armazenadas?

Em relação à nossa Empresa SALDOSOL, Lda. Namibe, que existe há cerca de 23 anos, com uma produção anual de seis mil toneladas, importa referir que sempre estivemos no mercado nacional de forma acanhada, preterida em muitos momentos. Chegou a crise e a nossa Empresa detinha um Stock de sal de nove mil toneladas.

Estávamos asfixiados, com sérias dificuldades de suportar os encargos fixos (salários para 103 trabalhadores, consumíveis, óleos lubrificantes e combustíveis, assistência medica e medicamentosa e não só), mas estávamos com esperança de que tudo um dia tereia fim. E esse dia chegou, embora acompanhado pelo “síndroma” da crise do petróleo.

É assim que no primeiro semestre deste ano 2016 a empresa comercializou 5.500 tons (cinco mil e quinhentas toneladas), situação que em nenhum ano da sua existência havíamos conseguido. Naturalmente, esse grande momento que o país vive é uma oportunidade para valorizar o que se produz internamente.

No entanto, acarreta outras necessidades, como: sacaria, máquinas de coser, acessórios e sobressalentes, consumíveis e outros itens que não se produzem no país e que teremos de solicitar à importação. Aí se abre outro grande problema: neste momento estamos financeiramente estáveis, mas paralisados em alguns sectores porque a aderência à moeda externa (euros ou dólares) está a ser um sério problema para se manter algumas indústrias que desenvolvemos.

Acredita que a crise veio ajudar  negócio do sal, uma vez que uns compradores que antes importavam passaram a comprar no país?

Indiscutivelmente, como dizia antes, esta crise pecou por ter chegado tarde, deveria ter chegado no início do século, e, sem suspeitas de errar, hoje teríamos um país onde o petróleo não teria espaço para debate, mas somente um complemento na estrutura económica do país, sem dúvida alguma.

Mas, como nunca é tarde, apelamos aos dirigentes que fazem a gestão económica do país, que criem um Conselho de Concertação Económica Nacional, para debates livres e bem preparados para que haja fluidez e rapidez na solução desta crise, para que não tome proporções sociais alarmantes com consequências políticas.

Qual foi a quantidade de sal vendida este ano?

Neste primeiro semestre de 2016 tivemos um volume de vendas de 5.559 Tons (cinco mil, quinhentas e cinquenta e nove toneladas), um record de comercialização.

Com este volume de vendas, quanto é que a Saldosol embolsou?

Foram cerca de duzentos milhões de Kwanzas.

Quem são os maiores clientes?

Toda a rede comercial do país, de Cabinda, Uíge, Luanda, como o maior centro de consumo, Benguela, pela sua privilegiada zona geográfica, Huíla, Kuando Kubango (Menongue), Kwanza Sul, Malanje, como plataforma importante, e as demais são abastecidas através dos centros mencionados.

E em termos de exportação? Para que países vocês exportam?

A nossa produção ainda não atingiu patamares que justifiquem a exportação. Portanto, está fora de hipótese pensarmos nesta saída. Entretanto, temos conhecimento que a Namíbia, o Congo Democrático e a Zâmbia têm consumido o nosso sal iodado, mas através de pequenos comerciantes que estão baseados nas respectivas fronteiras. Podemos passar a exportar em 2017, desde que as políticas económicas melhorem ou tenham outros métodos de gestão.

Qual é a produção actual?

Neste semestre produzimos 1.900 (mil e novecentas toneladas), porque estamos a preparar-nos para que no segundo semestre consigamos produzir as 4.000 (quatro mil toneladas). Importa recordar que a nossa empresa prima por dados estatísticos reais, certos e concretos. Não empalhamos para satisfazer o irreal.

Disse que tencionam aumentar a produção de sal. No entanto, a falta de divisas para importação de iodo não será um empecilho?

Temos sido abastecidos com iodo pela empresa ENATIP, de Luanda, que o Ministério das Pescas tem sob seu controlo, evitando as salineiras de viverem o drama da importação deste precioso produto. (semanarioeconomico)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA