Chimpanzés preferem cooperar a competir, revela estudo

(AFP)

A cooperação é considerada uma característica chave que separa os humanos dos animais, mas pesquisadores disseram nesta segunda-feira que os nossos parentes mais próximos, os chimpanzés, também podem trabalhar em equipe.

Os chimpanzés são cinco vezes mais propensos a cooperar do que a competir, e encontram maneiras de desencorajar a preguiça entre seus pares, de acordo com um estudo publicado na revista científica americana Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

“Dado que a proporção entre conflito e cooperação é bastante similar em humanos e chimpanzés, nosso estudo mostra semelhanças surpreendentes entre as espécies e oferece uma nova visão sobre a evolução humana”, disse a autora principal, Malini Suchak, que era estudante de pós-graduação no Centro de Pesquisa Yerkes, em Atlanta, Georgia, quando o estudo foi realizado, e hoje é professora adjunta de comportamento animal, ecologia e conservação no Canisius College em Buffalo, Nova York.

Estudos anteriores que concluíram que os chimpanzés não eram propensos a cooperar foram realizados em laboratórios.

Para este estudo, pesquisadores do Yerkes National Primate Research Center recriaram o ambiente natural dos chimpanzés, colocando 11 exemplares em uma área verde ao ar livre perto de um aparelho com cordas que eles podiam puxar para obter recompensas.

Mas eles tinham de trabalhar em conjunto, em grupos de dois ou três animais, para obter os agrados, e podiam escolher quem seriam seus parceiros.

Embora eles tenham começado competindo uns contra os outros, logo descobriram que era mais vantajoso trabalhar em equipe, ajudando uns aos outros.

Ao longo de 94 horas de testes, os pesquisadores contabilizaram 3.656 atos de cooperação bem sucedidos.

Por outro lado, foram registadas mais de 600 interacções competitivas – quando os chimpanzés roubavam recompensas sem ter trabalhado para obtê-las, empurravam outros ou começavam brigas.

Alguns dos chimpanzés superaram essas formas de competição “protestando directamente”, ou se recusando a trabalhar na presença de um colega folgado – uma estratégia conhecida como “evasão” que também é usada pelos seres humanos.

Outras vezes, os chimpanzés mais dominantes intervinham para afastar os aproveitadores, mostrando o que os pesquisadores chamaram de punição por terceiros – também uma estratégia humana.

“Demos a eles a liberdade de empregar as suas próprias estratégias de execução, e resulta que eles são realmente muito bons em prevenir a competição e favorecer a cooperação”, disse Suchak.

De acordo com o co-autor Frans de Waal, especialista em primatas e professor de psicologia na Universidade Emory, em Atlanta, Georgia, o estudo deveria levar os cientistas a reconsiderarem em que medida a cooperação contribui para a sobrevivência no mundo animal.

“Se tornou comum na literatura afirmar que a cooperação humana é única. Isto é especialmente curioso porque as melhores ideias que temos sobre a evolução da cooperação vêm directamente de estudos com animais”, disse De Waal.

“O mundo natural está cheio de cooperação, desde as formigas até as baleias assassinas. Nosso estudo é o primeiro a mostrar que nossos parentes mais próximos sabem muito bem como desencorajar a competição e os aproveitadores. A cooperação ganha!”, completou. (AFP)

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