Cazenga ganha maior mediateca do país

Interior da Mediateca Ze Dú, no Cazenga (Foto: Alberto Falcão)

Contribuir para a ocupação dos jovens e, de modo geral, para a inclusão social e digital da população, mediante as novas tecnologias de informação, preferencialmente, em infra-estruturas modernas, como é o caso das mediatecas, são apenas alguns dos propositos do “Programa Rede Mediatecas de Angola”, em curso em todo o país.

Dentro deste prisma, o município do Cazenga, um dos mais vastos e populosos de Luanda (com 862 351 habitantes, segundo Censo 2014) vai ganhar, quinta-feira, a maior mediateca do país, baptizada “Ze Dú”, construída em 15 mil metros quadrados de extensão.

“Estamos nesta estrutura de 15 mil metros quadrados. A Mediateca está construída num espaço de 2 mil 500 metros quadrados de área bruta e temos 9 mil e 500 metros quadrados de jardim, mais 2 mil e 500 de área pavimentada”, explicou à Angop, em entrevista exclusiva, o coordenador do Programa Rede Mediatecas de Angola, Pedro Teta.

De acordo com Pedro Teta, secretário de Estado para as Tecnologias de Informação, a invergadura do empreendimento está relacionada com a dimensão da população da circunscrição, sendo “preciso dar a esta zona algo que dignifique os seus munícipes”.

A criação da Rede de Mediatecas de Angola (REMA) é uma iniciativa do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que em Abril de 2010 criou uma comissão executiva para a sua materialização. Criada pelo Decreto Presidencial nº192/12, que cria e aprova o seu estatuto orgânico, a REMA é um serviço público especializado, integrado na administração directa do Estado, dotado de autonomia administrativa e financeira.

O projecto tem como objectivo complementar a ocupação dos jovens bem como melhorar a qualidade do ensino dos mesmos através da construção de infra-estruturas modernas e que contribuam para a inclusão social e digital da população.

As mediatecas vão facilitar o acesso à informação e ao conhecimento necessários ao desenvolvimento socio-económico, contribuindo para a formação e aperfeiçoamento do capital humano, ao mesmo tempo alargando o acesso à cultura e a utilização de novas tecnologias de informação, geralmente gratuitamente.

Pedro Teta explicou que atendendo ao pedido da juventude lançou-se o projecto Mediatecas de Proximidade, estas com a característica de passar de uma localidade a outra.

“Ficam dois meses num município e igual período numa outra região municipal. É claro que, pela dimensão de Luanda, uma única Mediateca não é suficiente mas mesmo assim temos seis (6) de proximidade, em seis províncias”, sendo duas em Luanda, enquanto para o Uíge, Malanje, Cabinda e Moxico uma para cada uma.

A mediateca é uma evolução das bibliotecas, comportando 70 porcento de acervo digital e 30 porcento de livros, o inverso destas (bibliotecas) com mais ou menos 70 porcento de livros e 30 porcento digital. Além dos espaços físicos em que se inserem, as mediatecas englobam equipamentos diversos, onde são recolhidos, tratados e disponibilizados documentos e suportes de informação, constituindo recursos pedagógicos para actividades quotidianas de ensino, curriculares, não lectivas e a ocupação de tempos livres e de laser.

Mais de um (1) milhão de utentes visitaram mediatecas a nível Nacional

Questionado se a Rede de Mediatecas está a ganhar, cada vez mais espaço no mercado estudantil, Pedro Teta destaca que os objectivos estão a ser completamente alcançados e a ultrapassar as expectativas.

“Nós, neste momento, ultrapassamos no mês de Julho deste ano, um milhão de utentes desde a abertura da primeira mediateca na capital, em Agosto de 2012”.

Fez saber que, em Novembro deste ano, será inaugurada a mediateca do Cunene, com as obras já finalizadas, estando aprazado também para o dia 4 de Fevereiro ou 4 Abril do próximo ano a inauguração das mediatecas do Cuito, em Maio de Malanje, Agosto de Cabinda e Uige.

Em 2018 dar-se-á início à construção da terceira fase, que vai abranger provínciais como Bengo, Namibe, Cuanza Sul, Cuanza Norte, Lunda Norte, Cuando Cubango e Moxico.

Para Pedro Teta, as mediatecas nacionais, nestes cinco anos, mantém o mesmo nível de rigor em termos de conservação e organização, pois, além da construção das infra-estruturas físicas iniciou-se a formação do homem com o envio de alguns para mestrado (Brasil) e outros cursos de biblioteconomia (Luanda), acrescentou.

Projecto de Mediatecas em Angola é uma referência em África

Pedro Teta afirmou ainda que o projecto de meditecas em Angola é uma referência em África e que muitos países do continente “berço da humanidade” querem que as autoridades angolanos repliquem o projecto em alguns estados africanos.

“Já fomos solicitados pela União Africana para sermos um centro de excelência, em termos do projecto de rede de mediatecas. Isso dignifica os angolanos, em particular, o mentor do mesmo (projecto) que é o Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos”, sublinhou.

Mais de trezentos (300) utentes vão visitar Ze Dú

A densidade populacional do Cazenga leva a estimar que mais de 300 jovens vão utilizar os serviços disponíveis na mediateca Ze Dú, principalmente estudantes, visto que o empreendimento está localizado numa zona escolar.

Esta previsão é da directora da Unidade Técnica de Gestão da Rede de Mediatecas de Angola, Catarina Kijila da Costa Cardoso.

A responsável informou que a Mediateca Zé Dú” comporta áreas de lazer, pesquisas, multimédia, leituras, estudos, zona infantil, três salas de formação, livraria, laboratório digital, campo polidesportivo, parque infantil, um anfiteatro, lavabos, área reservada a serviços administrativos e parque automóvel.

O usuário pagará mil kwanzas para o acesso à mediateca, devendo também entregar fotocópia do Bilhete de Identidade para lhe ser emitido um cartão de validade anual para qualquer mediateca do país, sem mais nada a pagar no interior do local.

A área infantil possui salas de jogos, brinquedos de computadores já equipados com conteúdos digitais. Os petizes terão à disposição trabalhos de matemática e ciências e vão tendo já contacto com os equipamentos, ganhando gosto pelas tecnologias de informação desde tenra idade, explicou Catarina da Costa Cardoso.

As crianças no espaço infantil onde estão inseridas áreas para leitura, contos infantis, internet e conteúdos didácticos serão acompanhadas por bibliotecários. O acesso à mediateca está reservado a crianças com mínimo de três anos de idade.

Os 40 funcionários da mediateca foram formados no ano passado e são, na sua maioria, munícipes do Cazenga, vincou a responsável, acrescentando que o mesmo vai suceder em outras circunscrições beneficiárias de futuras infra-estruturas do género.

O município do Cazenga tem uma superfície de 41,2 quilómetros quadrados, contando com 862 351 habitantes (Censo 2014).

Está limitado a oeste com os municípios de Luanda, a norte Cacuaco, a este com Viana e a sul com o distrito urbano do Kilamba Kiaxi . É constituído pelas comunas do Hoji-ya-Henda (zona 17), Cazenga Popular (zona 18) e Tala-Hady (zona 19). (ANGOP)

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