Brasil. Rousseff diz que vai ao Senado defender a democracia nas vésperas do julgamento

Dilma Rousseff é alvo de um processo de impeachment (Cadu Gomes/EPA)

Dilma Rousseff disse que vai ao Senado defender o voto das pessoas que a apoiaram nas últimas eleições. A presidente com mandato suspenso classificou o impeachment como um golpe de estado parlamentar.

Dilma Rousseff, Presidente do Brasil com mandato suspenso, disse na noite de terça-feira, em São Paulo, que vai ao Senado para defender a democracia e o voto das 54 milhões de pessoas que a apoiaram nas últimas eleições.

“Aconteça o que acontecer temos a clareza que a democracia é algo muito valioso, por isto temos que lutar por ela de tempo em tempos. Eu não vou ao Senado [defender-me das acusações do processo de impeachment] porque acredito no poder dos meus belos olhos, mas vou porque acredito na democracia. Devo isto ao povo brasileiro e vou continuar lutando”, afirmou.

A chefe de Estado suspensa esteve presente num ato promovido pela Frente Brasil Popular, um movimento social no país, na Casa de Portugal dois dias antes do início do julgamento do impeachment (destituição) na câmara alta do Brasil.

Falando para cerca de mil pessoas, lotação máxima do espaço onde aconteceu o evento, Dilma pediu aos presentes que continuem resistindo ao processo de destituição ainda em andamento, que voltou a classificar como um golpe de Estado parlamentar.

Sobre este ponto, Dilma Rousseff fez uma metáfora dizendo que a democracia seria uma espécie de árvore que é cortada por um machado quando ocorre um golpe militar. No seu processo de impeachment aconteceria algo diferente, uma espécie de ataque de parasitas que estariam a tomar parte dos galhos da árvore (a democracia) matando-a pouco a pouco.

Dilma Rousseff também não poupou críticas ao Governo interino liderado por Michel Temer, dizendo que o programa de reformas anunciado até o momento sobre alterações nas leis trabalhistas, mudanças nas regras de previdência social e também em privatizações de empresas públicas vai contra os interesses dos brasileiros.

No final do discurso, voltou a frisar que encara o processo de impeachment como algo muito duro.

“Sei que sou inocente e que é uma injustiça o que estão a fazer comigo. A democracia é algo muito valioso para a gente não lutar por ela. Lutei minha vida inteira, contra a tortura, lutei contra um cancro e vou lutar agora”, concluiu.

Dilma Rousseff é acusada de ter cometido crime de responsabilidade ao praticar manobras fiscais com o objetivo de melhorar as contas públicas e assinar decretos a autorizar despesas que não estavam previstas no orçamento.

O julgamento terá início na próxima quinta-feira às 9h00 horas (13h00 em Lisboa) e não existe um prazo determinado para finalizar, segundo o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que comanda esta última fase do processo.

Se efetivado, o impeachment de Dilma Rousseff será o primeiro da história do Brasil em que o Presidente lutou até ao fim.

Para ser condenada, 54 dos 81 senadores que compõem a câmara alta devem considerá-la culpada. Neste caso, Dilma Rousseff perde definitivamente o posto de Presidente e também ficará impedida de participar de eleições para cargos públicos por oito anos. (OBSERVADOR)

por Lusa

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