António Mota elogia Portas: “é muito trabalhador”

(Ana Brígida)

O presidente da Mota-Engil valoriza a contratação de ex-políticos por parte das empresas e, em entrevista ao Público, mostra-se mais preocupado com a instabilidade no sistema financeiro português do que com a quebra dos negócios em África.

António Mota considera que Paulo Portas é “um excelente quadro para qualquer empresa” e elogia o ex-líder do CDS, que contratou em Junho para liderar o novo Conselho Internacional da empresa, por ser “um homem que conhece o mundo, [que] é muito trabalhador e muito inteligente” e por ter “uma noção dos problemas que os portugueses enfrentam no estrangeiro e das suas necessidades”.

Em entrevista ao Público, publicada esta segunda-feira, 1 de Agosto, o presidente da Mota-Engil diz que fica “admirado com as críticas” dirigidas à construtora, considerando que “deveria ser ao contrário e as pessoas deveriam perguntar-se por que é que não há por parte das empresas um maior aproveitamento destes activos”. O Bloco de Esquerda foi uma das vozes que se insurgiram no quadro parlamentar, criticando o “apetite voraz” da Mota-Engil por ex-ministros.

O ex-embaixador Seixas da Costa e o ex-ministro e homem forte do aparelho do PS, Jorge Coelho, são outros casos passados de recrutamentos feitos na política. Ora, o empresário natural de Amarante adianta que “nunca [anda] à procura na esquerda ou na direita”, mas apenas “dos bons quadros” e assinala que “até hoje não [se enganou] em nenhum”.

Num balanço feito já no início da segunda metade do ano, o presidente da Mota Engil adianta já que 2016 “está a ser ainda mais difícil que 2015” e isso era algo que “não poderia adivinhar”. Como factores de dificuldade elege o preço das matérias-primas, a instabilidade na Europa e crise no sector financeiro português, sendo este última “o grande problema que que hoje as empresas atravessam”.

“O sector financeiro não tem dimensão e capacidade para apoiar uma empresa da nossa dimensão” [e por isso] “é muito difícil trabalhar a partir de Portugal”. (…) “Espero que seja só o sistema financeiro português porque cheira-me que vêm aí mais problemas, e não só em Portugal”, acrescenta António Mota.

México ultrapassa Angola em 2017

E se em Portugal o sistema financeiro é a maior fragilidade, a segunda que aponta nesta entrevista ao jornal diário são os colaboradores, sobretudo os 1.800 que estão fora de Portugal, a quem prometeu que iriam três anos para fora e depois poderiam regressar ao país. “Agora tenho de lhes dizer: ‘vais três anos e depois logo se vê’. Aqui não há nada”, resumiu, notando que não contava com um ciclo de crise “nem tão longo nem tão drástico”.

“O sector da construção precisava de ser reformulado. Mas o que fizeram foi destruí-lo. Nós somos muito competitivos nos sapatos, nos têxteis, mas também éramos na construção e destruíram-nos”, lamenta o empresário, exemplificando as áreas da ferrovia ou da reabilitação como alternativas para o grupo nortenho, onde vai continuar a promover a passagem para a terceira geração da família, mas sem abandonar a estrutura. “Sou muito novo para me ir embora”, avisa.

Para o grupo, que está actualmente em 23 países e conta com quase 26 mil colaboradores, a América Latina vai ser o maior mercado e “se calhar já no final deste ano”. Em 2017, o México ultrapassará Angola como o país que gera maior volume de negócios. A situação nos mercados africanos, em particular em Angola, “está muito difícil, mas não assusta”. “Soubemos adaptar-nos a todas as situações, saberemos adaptarmo-nos a esta. Com a vantagem de Angola representar menos de 40% dos nossos negócios em África, e não os 80% que já representou”, conclui. (Negocios)

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