Angola tem reservas cambiais aceitáveis

(TPA)

As autoridades devem analisar “com mais perspicácia” as opções da política cambial para enfrentar a desvalorização do kwanza, solicitou sexta-feira, em Luanda, o professor da Faculdade de Economia da Universidade Católica de Angola, Salim Mohamed.

Ao falar à imprensa, no fim de um debate sobre os “desafios da prestação de serviços à indústria petrolífera” promovido pela Câmara de Comércio Estados Unidos-Angola (USACC), o académico indicou que há um caminho a percorrer para recuperar a estabilidade cambial e monetária, retirando lições dos outros países que passaram o mesmo que Angola.

O economista disse que desvalorizações drásticas aconteceram em outros países em África, América Latina, Ásia e mais recentemente na Europa.

Em determinado período, a América Latina, por exemplo, teve de voltar à dolarização para elevar os níveis de confiança na economia. “Tem que se estudar as lições para saber qual a melhor política que Angola deve seguir, de acordo com as suas especificidades”, referiu.

“O importante é não ir às cegas para o que for recomendado pelos organismos internacionais, porque cada país tem a sua especificidade”, afirmou o professor universitário.

Nas condições de escassez de divisas, declarou, é natural que a procura aumente, pelo que urge dimensionar as opções para se saber quais as melhores políticas que as autoridades governamentais devem adoptar.

Salim Mohamed admitiu que, apesar do comportamento de instabilidade, o Executivo tem conseguido mitigar os efeitos negativos da volatilidade do sector exportador sobre a economia.

“Angola tem ainda reservas internacionais aceitáveis. O Executivo está a saber gerir a questão da desvalorização e isso é confortável”, afirmou.

Além disso, a desvalorização da moeda nacional tem vantagens e desvantagens, posto que se diminuiu a pressão sobre o dólar e causou melhorias na gestão das reservas internacionais, mas provocou a subida dos preços, estagnados em níveis situados entre os sete e os nove por cento há mais de uma década.

Alguns especialistas apontam para uma desvalorização da moeda nacional mais gradual, enquanto outros dizem que deve ser mais acentuada, para não criar uma expectativa permanente sobre a desvalorização. “Falta aqui a avaliação, para ver quais são as vantagens e as desvantagens”, afirmou, para apontar as escolhas disponíveis.

Salim Mohamed disse esperar que o actual momento económico seja seguido de uma recuperação rápida, já que a economia está dependente do preço do petróleo no mercado internacional. “A expectativa é que o preço do petróleo fique entre os 50 e os 60 dólares, de acordo com vários especialistas das agências internacionais, e o novo ajustamento estrutural deve ser feito dentro e fora do sector petrolífero”, considerou.

A economia angolana, notou, passa por um ciclo desfavorável que obriga as empresas a adoptarem penosos programas de reestruturação, o que, além do sector petrolífero, inclui companhias de construção, sector hoteleiro, agricultura, indústria transformadora e outros domínios. (TPA)

por Jornal de angola/LV

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