Ali Bongo contra onze candidatos na corrida à Presidência do Gabão

Ali Bongo (DPA)

O actual Presidente gabonês concorre a um segundo mandato, afirmando que é responsável por desenvolver o país. Já o seu principal rival, Jean Ping, e os restantes candidatos falam de caos e ditadura.

Esta quarta-feira, 17 de Agosto, o Gabão, ex-colónia francesa, celebra 56 anos de independência, em plena campanha eleitoral para as presidenciais de 27 de Agosto. Nas principais ruas da capital, Libreville, vários cartazes mostram os feitos de Ali Bongo, o Presidente candidato à sua própria sucessão: quilómetros de estradas pavimentadas e empregos criados graças à chegada de empresas estrangeiras, atraídas pelas isenções fiscais.

O actual chefe de Estado gabonês subiu ao poder em 2009, após a morte do seu pai, Omar Bongo, que governou o Gabão durante 41 anos. Ali Bongo afirma que fez avançar o país rico em matérias-primas.

Há muito que a economia do Gabão se baseia na exploração de petróleo, mas, com a instabilidade no sector, o país tem estado a tentar diversificar os seus recursos financeiros. É com este balanço que Ali Bongo busca a reeleição a 27 de agosto, para continuar a liderar o Gabão, um país de 1,8 milhões de habitantes que é também o segundo maior produtor do mundo de manganês.

“A diversificação funcionou bem. Reduzimos a dependência do petróleo, que representa agora entre 23 e 26% do PIB, em vez dos anteriores 45%”, afirma o chefe de Estado gabonês, em entrevista à DW África.

A diversificação, diz Ali Bongo, permitiu “criar empregos e desenvolver outros sectores”, numa altura em que o país atravessa “um período difícil”. “A diversificação é a chave do futuro do nosso país, na medida em que vamos transformar todos os produtos que exportamos em bruto e criar os empregos do futuro.”

Esta não é a primeira vez que os gaboneses ouvem estas palavras. Nem todas as promessas feitas pelo Presidente foram cumpridas. Um exemplo é a habitação: em 2009, Ali Bongo tinha prometido construir 5 mil casas por ano, ou seja, 35 mil durante o seu mandato de 7 anos. Apenas entre 13 mil a 15 mil habitações estão a ser construídas, reconhece o Presidente.

Ainda de acordo com o chefe de Estado, mais de 64 mil famílias receberam acesso a água e electricidade. No entanto, os cortes de água e energia continuam a marcar o dia-a-dia do Gabão.

Oposição ataca origens de Bongo

O principal rival do actual Presidente é Jean Ping, de 74 anos, ex-presidente da União Africana, mas também ex-director do gabinete de Omar Bongo e ex-cunhado do chefe de Estado. Ping e outros opositores têm vindo a denunciar “o bando de estrangeiros que dirige o país”, tal como o chefe de gabinete de Ali Bongo.

O número um do regime também não tem escapado aos ataques, com os críticos a acusarem-no de esconder as suas verdadeiras origens. Os opositores do chefe de Estado alegam que Ali Bongo nasceu na Nigéria e foi adoptado por Omar Bongo. A Constituição especifica que, para se assumir a Presidência do país, é preciso ter nascido no Gabão.

O Tribunal Constitucional, presidido pela madrasta de Ali Bongo, validou no final de Julho a candidatura do Presidente. Para Jean Ping, isto é inaceitável. Justiça livre é um dos lemas da sua campanha.

“Temos um país onde a justiça obedece às ordens do poder. É preciso restaurar a independência e a credibilidade da justiça”, frisa o principal rival de Ali Bongo. Ping lembra que, no Gabão, “a nomeação de juízes é feita pelo Conselho Superior da Magistratura, que é presidido pelo Presidente da República” e promete: “Vamos acabar com tudo isto.”

Falta de alternância

A 16 de Agosto, Jean Ping recebeu o apoio de dois candidatos que se retiraram da corrida eleitoral: Guy Nzouba Ndama, ex-presidente da Assembleia Nacional, e o ex-primeiro-ministro Casimir Oye Mba. Ainda assim, 11 candidatos continuam a enfrentar o chefe de Estado na luta pela Presidência e os observadores consideram que a fragmentação do voto pode penalizar a oposição.

No seio da sociedade civil, levantam-se questões sobre a conversão dos candidatos que, durante muito tempo, fizeram parte do regime Bongo. Segundo Nicaise Moulombi, membro do Conselho Superior de actores não-estatais no Gabão, estas são “eleições tensas e há uma forte contestação”.

“Parece que há uma imposição genética no Gabão há mais de 50 anos, sempre com a mesma família política. E quando as pessoas abandonam o barco, saem com a mesma genética política, que é o Partido Democrático Gabonês, no poder, e isso dificulta a alternância política neste país”, explica Moulombi.

Para estas eleições, o Presidente Ali Bongo convidou uma missão de observação da União Europeia – uma novidade em relação a 2009.

Uma outra observadora é Cynthia Akuetteh, a embaixadora dos Estados Unidos no Gabão. Em Julho, o Congresso norte-americano pediu às autoridades de Libreville respeito pelos princípios democráticos nas presidenciais. Hoje, Cynthia Akuetteh fala sobre esta eleição como “um desafio”.

“O nosso papel é ver se o processo respeita os princípios democráticos para que a votação seja transparente e pacífica. Tenho viajado por todo o país para me encontrar com os gaboneses. E eles disseram-me que querem exactamente isto”, diz a observadora.

628 mil eleitores são chamados às urnas a 27 de Agosto para escolher o próximo Presidente do Gabão. (DW)

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