Alemanha: Reino Unido não pode querer só “as coisas boas” da UE

(Reuters)

O ministro da Economia da Alemanha considera que o Reino Unido não pode manter acesso “às coisas boas” de pertencer à União Europeia enquanto abandona o bloco europeu.

Há pouco mais de dois meses, o Reino Unido votou pela saída do país da União Europeia. Os mecanismos oficiais – activação do artigo 50 do Tratado de Lisboa – para esse fim ainda não foram accionados. Já vários líderes internacionais se pronunciaram sobre o resultado do referendo. Nas últimas horas, foi Sigmar Gabriel, ministro alemão da Economia, que falou sobre o assunto.

“O Brexit é mau mas não vai prejudicar-nos tanto, em termos económicos, quanto alguns temiam – é mais um problema psicológico e um grande problema político”, afirmou numa conferência de imprensa, citado pelo The Guardian.

“Se organizarmos o Brexit da forma errada, então estaremos em dificuldades, por isso, temos de assegurar-nos que não deixamos o Reino Unido manter as coisas boas, por assim dizer, relacionadas com a Europa enquanto não assumirem responsabilidades”, acrescentou.

O responsável alemão sustentou também que a Europa é agora vista como um continente instável. Uma das “coisas boas” que o Reino Unido poderia gostar de manter é o acesso após a saída da UE é acesso ao mercado único.

Menos optimista pode estar Angela Merkel. Na semana passada, a chanceler alemã sustentou que:”o Brexit não é apenas um acontecimento. Pode ser um ponto de ruptura na história da União Europeia. Temos de encontrar a resposta certa”. O aviso de Merkel foi dado a cerca de três semanas da cimeira europeia de Bratislava, em 16 de Setembro, destinada a debater a saída do Reino Unido. Um encontro que a chanceler considera “não o fim mas o princípio” do percurso de auto exclusão dos britânicos da UE.

Também na semana passada, três líderes europeus – Angela Merkel, François Hollande e Matteo Renzi – estiveram reunidos numa cimeira para transmitirem uma mensagem clara: a União Europeia não está acabada. “Respeitamos a decisão britânica mas naturalmente queremos deixar claro que os outros 27 membros estão a trabalhar para uma Europa próspera e segura”, disse Angela Merkel na conferência de imprensa após o encontro.

“Muitos pensaram que a Europa estava acabada depois do Brexit – não estava”, declarou na altura Matteo Renzi, anfitrião do encontro. O primeiro-ministro italiano realçou, na mesma conferência de imprensa, que “acreditamos que a Europa pode ser uma solução para os problemas, enquanto os populistas acreditam que a Europa é a causa de todos os problemas”.

Entretanto, o The Guardian dava ontem conta que a primeira-ministra britânica, Theresa May, convocou para quarta-feira o Governo. Este encontro vai ter lugar depois de terem surgido notícias que sugerem que há uma divisão sobre se o Executivo deve, ou não, tentar negociar o acesso ao mercado único. O ministro britânico das Finanças, Philip Hammond é partidário que o Reino Unido mantenha acesso ao mercado único em áreas específicas, como é o caso dos serviços financeiros. O governante pretende assegurar que as negociações entre Londres e Bruxelas protegem determinadas áreas da economia, mesmo antes do encontro do Governo.Por outro lado, os governantes que apoiavam a saída do Reino Unido terão posições mais radicais sobre o que deve o país negociar, avançava o Sunday Times, citado pelo The Guardian.

Assim, para este encontro os ministros britânicos devem levar os trabalhos de casa das férias. Theresa May pediu ao seu Executivo, antes do Verão, que desenhassem planos para a saída do Reino Unido do bloco europeu. (Negocios)

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