África exige mudanças nas relações com o FMI

(Foto: D.R.)

Os governadores africanos junto do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial solicitaram das organizações de “Bretton Woods” apoios para enfrentar choques e aumentar a resiliência dos seus países para impulsionar o crescimento económico.

Este foi um dos pontos da Declaração de Cotonou, cidade onde decorreu o Caucus Africano 2016, aprovada esta sexta-feira na célebre capital do Benin – palco do conhecido Acordo de Cotonou, o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os países ACP (África-Caraíbas-Pacífico), assinado em 23 de Junho de 2000, sucedendo à Convenção de Lomé.
Os governadores (responsáveis dos Ministérios das Finanças, Planeamento e bancos centrais) dos países africanos junto do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional solicitam assim que, no âmbito da Conta de Recursos Gerais, o FMI estabeleça uma facilidade adaptada às necessidades peculiares dos exportadores de matérias-primas, pois estes continuam sujeitos a choques nos preços dos produtos de exportação.
Segundo o secretário de Estado do Tesouro, João Boa Francisco Quipipa, em representação do ministro das Finanças, esta posição conjunta traduz a determinação dos países africanos em manter os seus programas de desenvolvimento que foram largamente afectados pela queda dos preços das matérias-primas.

O secretário de Estado do Tesouro enfatiza a necessidade de apoio das instituições de Bretton Woods no sentido de encontrar instrumentos de política e reformas que tornem as economias africanas mais resilientes aos choques.

“A nossa curva de crescimento não deve abrandar”, defende, adiantando também a necessária “assistência técnica para a mobilização de recursos internos e o combate aos fluxos ilícitos, como ficou assente o ano passado na declaração de Luanda, uma vez que este fenómeno priva os nossos países de importantes recursos para o desenvolvimento e transformação económica”.
A declaração de Cotonou do Caucus Africano pretende impulsionar o crescimento e promover a transformação económica e, para o efeito, instam o BM e o FMI a aumentar o financiamento de projectos estruturantes e de transformação, mediante as diferentes janelas disponíveis, nomeadamente em áreas como agricultura, energia e infra-estruturas.
A comunidade financeira do continente africano pretende assim vingar estes pontos nas discussões da reunião anual do Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial, que decorre em Outubro próximo em Washington. (jornaldeangola)

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